Agro

Investigado por R$ 32 milhões do TCE-MT tem frota de luxo e haras

Relatório da Polícia Federal aponta patrimônio incompatível e transações atípicas ligadas ao consultor jurídico-geral preso no estado.

O consultor jurídico-geral do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, alvo da Operação Tomada de Contas, é apontado em um levantamento da Polícia Federal como proprietário de cinco carros de luxo avaliados em R$ 1,38 milhão, além de um haras e de ter recebido R$ 32,3 milhões da Corte de Contas em menos de dez meses através de centenas de transferências bancárias atípicas.

Veículos de luxo e transações suspeitas Conforme o relatório da Polícia Federal, entre os veículos associados ao consultor estão um Land Rover Defender, avaliado em R$ 735,2 mil, e um Mini Countryman, de R$ 214,3 mil.

A lista inclui ainda uma Mercedes-Benz CLA 250, um Fiat Fastback e um GAC GS4 Elite. Juntos, os cinco automóveis têm valor estimado em R$ 1.388.464, conforme referências da tabela Fipe. Os investigadores também identificaram um reboque destinado ao transporte de animais. O levantamento patrimonial aponta ainda uma possível aquisição de imóvel em Campo Grande (MS), no valor de R$ 305,5 mil, registrada em abril deste ano. A PF também identificou uma possível transação envolvendo uma caminhonete RAM 1500, ano 2022, que teria sido vendida por Grhegory a Ricardo Guilherme Nabor Antunes de Almeida, filho de Sérgio Ricardo. Além disso, Grhegory integra, ao lado da esposa e do filho, a empresa G. P. P. M. M. Participações e Empreendimentos Ltda., uma holding voltada à administração patrimonial familiar.

Criação de cavalos e risco de lavagem Outro ponto que chamou a atenção da PF foi a abertura da empresa Maia Reining Horses Ltda., em 22 de julho de 2025, período em que, segundo os investigadores, houve uma aceleração dos pagamentos feitos pelo TCE ao consultor.

A empresa atua na criação e reprodução de cavalos da raça quarto de milha, comercialização de material genético, como sêmen e embriões, além da organização de competições de rédeas. No relatório, a Polícia Federal destaca que esse segmento apresenta riscos de utilização para lavagem de dinheiro, principalmente pela dificuldade de estabelecer preços objetivos para animais de alto valor e material genético. Apesar da observação, não há comprovação de que a empresa tenha sido utilizada para ocultar recursos ilícitos.

Milhões em repasses e desdobramentos da operação A análise financeira realizada pela PF identificou que Grhegory recebeu R$ 32.310.120,43 do Tribunal de Contas entre janeiro e 22 de outubro de 2025.

O montante foi repassado por meio de 217 lançamentos bancários, distribuídos em contas de nove instituições financeiras. Segundo os investigadores, foram identificadas transferências realizadas no mesmo dia, com valores semelhantes e destinadas a diferentes contas bancárias, circunstâncias que levantaram suspeitas sobre a origem e a regularidade dos pagamentos.

Grhegory foi preso preventivamente no dia 29 de outubro, durante a operação que apura suspeitas de irregularidades em contratos e pagamentos realizados pelo Tribunal. A ofensiva também resultou na prisão do presidente da Corte, Sérgio Ricardo de Almeida, e no afastamento de outros conselheiros. Foram presos o presidente da Corte, Sérgio Ricardo; o consultor jurídico-geral Grhegory Paiva Pires Moreira Maia; o servidor Adriangelo Barros Antunes; a secretária-executiva Roseli Loss; e os advogados Felipe José Glinke e Gustavo Fernandes da Silva. Os conselheiros Guilherme Maluf, José Carlos Novelli e Alisson Alencar também foram alvos da operação e afastados de suas funções por determinação judicial, assim como o conselheiro aposentado Valter Albano, que integrava a comissão de fiscalização da corte.

Mais notícias

Ver todas