A Câmara dos Deputados realizou nesta quarta-feira (4) uma sessão solene para celebrar os 40 anos da Confederação Brasileira das Cooperativas de Crédito (Confebrás). O evento reuniu autoridades, parlamentares e dirigentes do setor para comemorar a trajetória da instituição, fundada em 1º de novembro de 1986 através da união de federações estaduais com o propósito de integrar e representar o segmento no país.
Crescimento e capilaridade do setor
Durante a cerimônia, foram divulgados dados expressivos sobre o cooperativismo financeiro brasileiro. Atualmente, o modelo reúne mais de 21 milhões de cooperados distribuídos em 742 instituições financeiras cooperativas. Com uma rede de 10 mil postos de atendimento presentes em mais de mil cidades brasileiras, o setor recentemente superou a marca de R$ 1 trilhão em ativos administrados.
O presidente da Confebrás, Luiz Lesse, apontou que a expansão é fruto da solidez das alianças institucionais e do foco na inclusão financeira. Ao projetar os próximos passos da entidade, ele pontuou que a incorporação de ferramentas como inteligência artificial e processos digitais representa um desafio central, embora a essência social deva ser mantida.
“O cooperativismo existe pelas pessoas e para as pessoas. Nosso teste para o futuro será equilibrar a inovação tecnológica com a preservação do contato humano, mantendo o acolhimento e a confiança”, observou.
Parceria estratégica com o Banco Central
O dirigente da entidade também destacou a relevância do Banco Central do Brasil como parceiro fundamental para o fortalecimento do crédito cooperativo nacional. Presente no evento, o chefe do Departamento de Supervisão de Cooperativas e Instituições Não Bancárias do Banco Central (Desuc), Adalberto Felinto Júnior, enfatizou a importância do modelo para a economia nacional.
“Nós, do Banco Central, temos pelo cooperativismo um apego, um carinho muito grande, porque o cooperativismo faz parte de um elemento central de atuação do Banco Central, que é a estabilidade financeira”, disse.
O representante do BC acrescentou que a solidez do sistema demanda capilaridade e inclusão. “E só quem é capaz de ter essa capacidade de se moldar a um ambiente de atuação é o cooperativismo.” Para ele, o segmento possui uma sensibilidade única para atender às demandas de pequenos empresários e microempreendedores do meio rural.
Apoio legislativo e econômico
A articulação com o poder legislativo também foi enfatizada por Luiz Lesse, que celebrou a atuação conjunta com a Frente Parlamentar do Cooperativismo na defesa de pautas estratégicas para o desenvolvimento nacional.
A sessão solene foi conduzida pela deputada Bia Kicis (PL-DF), que lidera a Frente Parlamentar pela Livre Iniciativa. A parlamentar ressaltou avanços recentes no marco legal, a exemplo da Lei Complementar 231/26, aprovada neste ano, que viabiliza a captação de recursos de fundos de desenvolvimento regional por parte das cooperativas, ampliando as fontes de financiamento público.
“São 40 anos dedicados a democratizar o acesso ao crédito na cidade e no campo, de norte a sul desse nosso continente chamado Brasil”, disse a deputada.
















