O consultor jurídico-geral do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, é alvo da Operação Tomada de Contas, deflagrada pela Polícia Federal. A investigação aponta que ele teria recebido R$ 32,3 milhões em pagamentos suspeitos em menos de dez meses do ano de 2025.
Detalhes das transações e avanço patrimonial
A prisão preventiva foi autorizada pelo ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). De acordo com a decisão judicial, o montante exato recebido foi de R$ 32.310.120,43. Desse total, R$ 31.644.860,90 foram repassados por meio de 179 ordens bancárias avulsas, divididos em 12 contas distribuídas em nove instituições financeiras.
O patrimônio financeiro do consultor apresentou um salto considerável no mesmo período. Em janeiro de 2025, os ativos somavam R$ 1,84 milhão, alcançando R$ 7,61 milhões em outubro. A Polícia Federal apontou Grhegory como o principal destinatário individual dos recursos sob investigação, destacando sua posição central na suposta organização criminosa.
Registro em vídeo e empresas ligadas ao esquema
Durante as diligências, a corporação obteve registros visuais do investigado manipulando grandes quantias em espécie. Em uma das gravações, ele aparece colocando blocos de dinheiro em uma mochila após o preparo das cédulas por uma funcionária bancária.
As apurações também revelaram o envolvimento de empresas. A holding familiar G.P.P.M.M. Participações e Empreendimentos Ltda., administrada pela sogra do investigado, teria recebido aportes dos valores apurados. Outra empresa citada é a Maia Reining Horses Ltda., aberta em julho de 2025 para atuação com cavalos, que segundo os investigadores serviria para ocultar bens devido à ausência de preços públicos de referência para os produtos comercializados.
Trajetória no serviço público e contexto da operação
Grhegory atua como procurador efetivo da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) desde 2014, tendo sido cedido ao TCE em 2020 e prorrogado até 2028. Ele também preside a Associação Nacional dos Procuradores e Advogados do Poder Legislativo (ANPAL). O ministro Og Fernandes ressaltou que o consultor atuou em processos no Supremo Tribunal Federal (STF) referentes a verbas indenizatórias da própria instituição onde trabalhava.
A Operação Tomada de Contas investiga fraudes em contratos administrativos e repasses do TCE-MT, que somam R$ 75,8 milhões entre janeiro e outubro de 2025. Entre os investigados também constam o presidente do órgão, Sérgio Ricardo de Almeida, além de outros conselheiros e servidores públicos.















