O Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) protocolou junto ao Conselho Estadual de Educação o pedido para transformar sua Escola Superior de Contas em Escola de Governo, o que permitirá à instituição emitir certificações próprias de pós-graduação sem depender de parcerias externas.
Autonomia acadêmica e novos planos
Durante a sessão ordinária realizada na última terça-feira (27), o presidente do órgão, conselheiro Sérgio Ricardo, oficializou o encaminhamento da solicitação que havia sido protocolada no dia 23 de fevereiro. O tribunal aguarda para esta semana a visita técnica do Conselho Estadual de Educação para checar a infraestrutura do local.
“O significado dessa conquista é profundo. Até aqui, a certificação acadêmica de especialização dependia de instituições de ensino parceiras, e nós tínhamos que buscar outras escolas. Com a nova condição, a Escola Superior de Contas poderá assumir diretamente a concepção, a organização, a execução e a certificação dos seus programas de pós-graduação”, afirmou Sérgio Ricardo.
O dirigente também destacou o alcance da medida: “Não estaremos apenas ampliando a oferta de cursos. Consolidaremos uma instituição com identidade acadêmica própria, reconhecida pelo sistema estadual de ensino e preparada para exercer uma responsabilidade educacional de maior alcance”.
Nova liderança e foco em gestão pública
Na mesma ocasião, foi anunciada a nova coordenadora da instituição, a professora Christiany Fonseca, doutora em Sociologia pela UFSCar e com passagens pela administração pública e gestão educacional.
“A professora doutora Christiany Fonseca é uma profissional com trajetória acadêmica e profissional nas áreas de educação, gestão educacional e políticas públicas, e com experiência em gestão pública e institucional. É uma profissional que tem a cara do que queremos. Quem vai fazer os nossos cursos são os profissionais das prefeituras, e ela conhece de perto a gestão pública”, destacou o presidente.
A nova coordenadora ressaltou que a autonomia educacional envolverá também o corpo funcional do Tribunal na capacitação de gestores. Para o ano em que a unidade completa 26 anos, a meta é interiorizar as atividades, estreitar parcerias e fomentar o intercâmbio de boas práticas.
“Queremos fortalecer o caráter pedagógico e preventivo do Tribunal, estabelecendo uma relação cada vez mais próxima com os gestores e servidores públicos municipais e estaduais. Além de fiscalizar, o Tribunal tem um papel fundamental na orientação e na prevenção de irregularidades. Investir na formação continuada dos jurisdicionados e dos nossos próprios servidores é contribuir diretamente para uma administração pública mais eficiente, transparente e qualificada”, afirmou a coordenadora.
Histórico de capacitações e futuro como faculdade
Apesar de a regulamentação estadual permitir desde 2014 que escolas de governo busquem esse tipo de credenciamento, esta é a primeira vez que o Tribunal adota a medida. A estratégia faz parte de um plano de gestão que prioriza a capacitação de agentes públicos e projeta passos ainda maiores para o futuro da instituição educacional.
“Coube a este momento institucional reunir as condições necessárias para transformar essa previsão normativa em uma iniciativa estruturada, com planejamento, responsabilidade técnica e perspectiva de resultados”, declarou Sérgio Ricardo, que acrescentou uma projeção de longo prazo: “Eu sempre pensei em um dia sermos uma faculdade. Passaremos por essa fase agora e, daqui a quatro anos, seremos uma faculdade.”
Recentemente, a instituição promoveu edições do MBA em Gestão de Cidades em parceria com a Fadisp. A primeira turma, iniciada em 2025, formou cerca de mil alunos, enquanto a segunda encerrou as atividades com 1.626 formandos, totalizando participantes de mais de cem prefeituras e órgãos estaduais em um curso gratuito de 360 horas.
“Agora, nós mesmos vamos assinar os diplomas daqueles que fizerem o curso aqui na nossa escola”, concluiu Sérgio Ricardo.















