Economia

Eleições 2026 exigem foco em economia, cultura e infraestrutura

Especialistas apontam restrições fiscais e endividamento familiar como principais barreiras para os próximos gestores e parlamentares.

Com a ida dos brasileiros às urnas no próximo domingo (4), os futuros ocupantes de cargos públicos assumirão seus mandatos diante de cenários complexos nas áreas de infraestrutura, economia e cultura, necessitando definir prioridades orçamentárias e impulsionar investimentos estatais.

Gargalos na infraestrutura nacional

O principal obstáculo para o desenvolvimento de transportes e logística reside na escassez de aportes financeiros, conforme avalia o consultor legislativo Alessandro Reichert. O especialista destaca a necessidade de os eleitores cobrarem clareza sobre o direcionamento de verbas para ferrovias e hidrovias.

Apesar de o setor ter registrado cerca de R$ 280 bilhões aplicados no ano passado — o patamar mais elevado desde 2010, segundo a Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base —, o montante ainda empaca em 2% do Produto Interno Bruto, ficando aquém do ideal estipulado pela indústria.

“A gente ainda tem uma baixa capacidade de investimento público, e somente o capital privado não vai ser suficiente para você enfrentar aquelas infraestruturas em que você não tem viabilidade para exploração por meio de uma concessão”, diz. “Hoje, desses R$ 280 bilhões, 80% são de recursos privados, captados no mercado ou via financiamentos do BNDES.”

Cenário econômico pós-pandemia

A recuperação financeira esbarra na dívida pública alta e no encarecimento do custo de vida, exigindo estratégias para impulsionar a renda e mitigar o endividamento das famílias.

Para a professora e economista Carla Beni, da Fundação Getulio Vargas (FGV), a conjuntura atual ainda carrega reflexos deixados pela crise sanitária global. A especialista pontua que o momento demanda valorização do salário mínimo, fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e um planejamento estratégico para o país.

“Nós precisamos de investimentos, de infraestrutura, de uma discussão madura com relação a terras raras”, declara, alertando para a importância de discursos pé no chão durante o pleito. A docente também enfatiza a relevância da atuação estatal no fomento tecnológico: “Nenhum país do mundo chegou onde chegou sem um Estado forte e indutor. O Estado é o indutor da inovação, porque a cada dez projetos, apenas um, em média, vinga. Quem corre esse risco é o Estado”.

Descentralização e impacto da cultura

Movimentando cerca de R$ 400 bilhões anualmente — o equivalente a 3% do PIB — e empregando quase 6 milhões de pessoas conforme o IBGE, o setor artístico demanda continuidade em projetos de inclusão regional.

O consultor legislativo Renato Gilioli pontua que as iniciativas recentes conseguiram capilarizar o alcance das verbas. “A política cultural, nesses últimos anos, talvez pela primeira vez em nossa história, passou a ter uma sistemática de chegar realmente a todos, a todo mundo. Principalmente aos municípios pequenos e médios, que antes não tinham muito esse acesso”, afirma.

O desafio central para a próxima legislatura será manter o equilíbrio entre incentivos fiscais e fomento direto. Além disso, o analista lembra que cada R$ 1 aplicado no setor gera um retorno aproximado de R$ 1,70 para o mercado produtivo.

O pleito definirá o futuro da nação em um momento de transição e reestruturação de políticas públicas essenciais para o desenvolvimento social e financeiro.

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