O governo dos Estados Unidos destinou a quantia de US$ 1 milhão, o equivalente a cerca de R$ 5,1 milhões, para o financiamento de uma campanha voltada a criticar a atuação do Supremo Tribunal Federal. A revelação foi feita pelo periódico britânico The Guardian após análise de documentos do Departamento de Estado americano.
Financiamento externo e foco na Suprema Corte
“Um aporte de US$ 1 milhão, intitulado Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil, financiaria grupos da sociedade civil que se opõem ao que o projeto chama de excesso de atuação judicial e censura por parte da Suprema Corte do Brasil”, diz a revista.
Os valores são direcionados por meio do Congresso americano para o Fundo de Direitos Humanos e Democracia, embora ainda não haja confirmação oficial sobre a efetiva transferência do montante ou se a verba foi apenas empenhada para iniciativas externas idealizadas pela Casa Branca.
Sanções e pressões diplomáticas
A publicação resgatou o histórico recente de atritos diplomáticos e lembrou que a gestão de Donald Trump impôs restrições ao ministro Alexandre de Moraes no período anterior, “após pressão de Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente”. O STF entrou fortemente na mira de Washington no decorrer dos julgamentos sobre a tentativa de golpe de Estado no país.
Outro ponto de atrito envolve as exigências e limites estabelecidos pelo Judiciário brasileiro sobre redes sociais e grandes empresas de tecnologia, alinhando-se a uma postura global da administração norte-americana de resistência contra legislações voltadas a regular o ambiente digital estrangeiro.
Expansão global da agenda de Trump
Investigações baseadas em dados do Departamento de Estado — liderado pelo secretário Marco Rúbio — mostram que um total de US$ 176,9 milhões (cerca de R$ 918 milhões) foi direcionado para 43 frentes internacionais com o intuito de propagar os interesses da Casa Branca pelo mundo.
“Houve pressão direta de membros do governo Trump por essas verbas, refletindo interesses que incluem os alertas de James David Vance (JD Vance) sobre o colapso dos valores ocidentais tradicionais na Europa e a campanha de Stephen Miller contra a imigração e em apoio a minorias brancas em países como a África do Sul”, escreveram os jornalistas Andrew Roth e Joseph Gedeon.
Ações na Europa e defesa governamental
No Reino Unido, o planejamento previa um repasse de US$ 5 milhões para auxiliar entidades contrárias a legislações de regulação digital e combate a discursos inadequados, a exemplo da lei de segurança britânica gerenciada pela Ofcom.
“Destinada a proteger crianças de conteúdos nocivos e fiscalizada pela Ofcom, a lei inclui regras de verificação de idade — em vigor desde o ano passado — que têm sido alvo de críticas constantes da administração Trump, a qual as classifica como censura”, diz a revista.
O principal destinatário dos recursos seria a Fundação Memorial de Vítimas do Comunismo, cujo comando inclui o ex-assessor Andrew Bremberg, com uma fatia projetada de US$ 40 milhões. Questionado pela imprensa britânica, o Departamento de Estado americano defendeu as iniciativas no exterior como formas de amparar parceiros na preservação de princípios, liberdades e soberania civilizacional.




