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Operação reescrita aponta advogados suspeitos de fraude para soltar número 2 do CV

Ação da Polícia Civil em Cuiabá cumpre mandados após descoberta de documento forjado para facilitar transferência de criminoso

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou a Operação Reescrita para investigar três advogados suspeitos de integrar um esquema de falsificação de documentos públicos com o objetivo de beneficiar a cúpula do crime organizado no estado.

Alvos da investigação policial Os profissionais investigados na ação realizada em Cuiabá são Pabline Mayara Barbosa Belfort Medeiros, Gerson Tomé Trevisol e Felipe Augusto Dorileo de Rezende.

Segundo as autoridades, o trio é apontado por envolvimento nos crimes de falsificação de documento público, uso de documento falso e participação em organização criminosa. A operação cumpriu quatro mandados de busca e apreensão, sendo três em endereços residenciais e um em um escritório de advocacia, com o acompanhamento de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT).

O plano para transferir Miro Louco As investigações conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) apontam que a fraude tinha uma finalidade específica.

O objetivo do esquema era viabilizar a transferência de Miro Arcângelo Gonçalves de Jesus, conhecido como Miro Louco e apontado como vice-líder do Comando Vermelho, da Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, para a Penitenciária Central do Estado (PCE), na capital mato-grossense. A mudança de unidade deveria ocorrer antes do fim do prazo estabelecido pela Justiça federal.

Como funcionava a fraude processual O caso começou a ser desenhado em junho de 2025, quando houve a protocolação de um pedido para a remoção do detento. Meses depois, em dezembro, dois dos advogados investigados foram até uma unidade judicial cuiabana para cobrar o cumprimento de uma suposta ordem emitida em novembro.

Os profissionais apresentaram uma cópia da decisão que, posteriormente, foi enviada digitalmente ao gabinete. Servidores do Judiciário desconfiaram e verificaram que o arquivo jamais havia sido assinado pelo magistrado, além de não constar nos autos do processo.

Perícia técnica e divisão de tarefas A verificação revelou falhas graves, como o uso de um código de validação vinculado a outro processo e incoerências com o padrão oficial do sistema eletrônico de execução penal. Uma perícia técnica confirmou que o arquivo passou por edição externa.

Conforme o levantamento policial, Pabline teria atuado na confecção ou alteração da decisão falsa, enquanto Gerson e Felipe foram os responsáveis por protocolar e apresentar o material perante o Poder Judiciário. As diligências continuam para detalhar a dinâmica da fraude e o envolvimento de cada suspeito.

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