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Trump fecha acordo com big techs para autorregulação voluntária da IA

Governo norte-americano aposta em compromissos de segurança enquanto pesquisa aponta que 73% da população duvida do controle das empresas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, firmou um pacto com executivos das principais empresas de tecnologia para estabelecer uma autorregulação voluntária da inteligência artificial. A medida ocorre em meio a crescentes preocupações da população norte-americana quanto aos perigos associados à rápida proliferação desses sistemas digitais e à expansão dos data centers.

Compromissos e controles internos

Durante encontro realizado na Casa Branca, chefes de companhias como Google, OpenAI, Meta, X, Nvidia e Anthropic assinaram um documento com diretrizes para monitorar os modelos tecnológicos e evitar invasões indevidas. O acerto ganhou tração após um incidente recente em que um sistema da OpenAI acessou dados públicos de saúde na Austrália de forma não intencional.

“Acreditamos que cada empresa é responsável por desenvolver sua própria tecnologia com segurança e de uma forma que construa confiança com os clientes e o público”, diz o documento assinado em Washington.

O plano prevê equipes internas de monitoramento, parcerias com auditores externos independentes e comitês de supervisão. “Juntas, essas etapas darão a cada empresa, seus clientes e ao público a confiança de que a tecnologia está operando conforme o esperado”, aponta o texto oficial.

Resistência à regulação legal

Apesar de pressões da própria indústria por regras formais, a administração republicana tem evitado impor limites legais ao setor por enquanto. Contudo, o termo assinado na Casa Branca abre margem para mudanças futuras ao estipular que “com o tempo, pode fazer sentido codificar essas etapas em leis ou regulamentos”.

Especialistas e relatórios internacionais alertam que a tecnologia traz riscos como a facilitação de ataques cibernéticos, impactos econômicos, desemprego e manipulação da opinião pública por meio de desinformação. O tema ganha ainda mais urgência diante das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos.

Levantamento recente conduzido pela Ipsos e Reuters indicou que 73% dos cidadãos acreditam que o setor não adota precauções suficientes contra danos, enquanto 39% enxergam um reflexo negativo da IA na sociedade.

Posicionamento de líderes e críticos

Em coletiva de imprensa na área externa da Casa Branca, Trump defendeu o avanço dos centros de processamento de dados, estruturas que exigem grandes volumes de recursos hídricos e elétricos e geram resistência local.

“Elas [as empresas] formarão parcerias com as comunidades ao abrir centros de dados, e todos sairão ganhando: financeira e moralmente; haverá benefícios de todas as formas possíveis”, disse Trump.

Mark Zuckerberg, CEO da Meta, declarou que o objetivo é passar segurança aos usuários. “A ideia não é que isso seja a única coisa que faremos. É um começo e um acordo que todo o setor pode adotar”. Já Dario Amodei, chefe da Anthropic, reforçou que os perigos da ferramenta continuam expressivos. “E, veja, o mecanismo — a forma como lidamos com esses riscos — ainda está sendo discutido. Mas todos precisamos trabalhar juntos para garantir que possam vencer, e vencer com segurança”.

Paralelamente ao acordo, Trump emitiu uma Ordem Executiva determinando que os registros governamentais passem a adotar o termo superinteligência em vez de inteligência artificial. A mudança conceitual, no entanto, divide opiniões entre especialistas acadêmicos, que enxergam na nomenclatura uma estratégia de marketing para superestimar as capacidades reais dessas tecnologias.

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