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Projeto quer incluir barreiras geográficas no programa Pé-de-Meia

Parlamentar aponta que tempo excessivo de deslocamento e falta de infraestrutura penalizam estudantes da Amazônia Legal.

Tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 3316/26, que obriga o governo federal a ponderar barreiras geográficas e estruturais vividas por alunos de regiões rurais, fluviais, ribeirinhas e de difícil acesso na Amazônia Legal durante a execução do programa Pé-de-Meia.

O funcionamento da poupança escolar e os novos critérios

O programa de incentivo financeiro funciona como uma poupança voltada para estimular a permanência e a conclusão do ensino médio na rede pública. Com a nova proposta, fatores geográficos passam a influenciar gestores públicos na priorização do atendimento, no acompanhamento das ações e na avaliação das regras de permanência, a exemplo da exigência de frequência escolar mínima.

O texto em análise sugere que sejam avaliados os seguintes pontos:

  • o tempo de deslocamento entre a casa do aluno e a escola;
  • a dependência de transporte escolar de longa duração (incluindo barcos);
  • a dificuldade de conexão à internet para atividades educacionais;
  • a baixa oferta local de escolas e serviços; e
  • as condições de vulnerabilidade social da região.

Possibilidade de benefício extra e justificativa

Ademais, a medida permite que o Executivo crie uma parcela complementar de incentivo financeiro destinada aos matriculados nessas zonas prioritárias, visando compensar os obstáculos de acesso. Contudo, a liberação desse recurso extra ficará condicionada à disponibilidade no orçamento federal.

O autor da proposta, deputado Duda Ramos (Pode-RR), argumenta que a evasão escolar não acontece apenas por falta de dinheiro, mas também por problemas de infraestrutura no território.

“Em áreas rurais e ribeirinhas, é comum que o tempo de deslocamento ultrapasse três horas diárias. A aplicação uniforme de critérios nacionais pode produzir efeitos desiguais, penalizando estudantes que enfrentam barreiras estruturais”, afirma o parlamentar.

Próximas etapas no Congresso Nacional

A proposta seguirá para análise, em caráter conclusivo, pelas comissões de Educação; da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para que possa se transformar em lei, o texto precisará ser aprovado tanto pela Câmara quanto pelo Senado.

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