Uma nova ferramenta digital lançada pelo governo federal em parceria com a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) permite monitorar as projeções de temperatura e pluviosidade para o território brasileiro e toda a América Latina nas próximas décadas.
Monitoramento avançado de riscos climáticos
O recurso foi incorporado ao AdaptaBrasil, um sistema que consolida dados de vulnerabilidade, exposição e ameaças para os 5.570 municípios do país. Com a novidade, a plataforma passa a exibir mapas interativos com estimativas detalhadas sobre o comportamento do clima em cenários futuros de aquecimento global.
Durante o evento de lançamento, o secretário de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente, Aloisio Melo, afirmou que o governo federal tem trabalhado para tornar a adaptação à mudança do clima uma agenda prioritária, estratégica e transversal.
“Esse processo de atualizar o Plano Clima e de fazer um plano de adaptação muito mais robusto e transversal, por meio de 16 planos setoriais e temáticos, foi um esforço para traduzir e dar concretude a essa agenda tão fundamental para o desenvolvimento do país”, declarou Melo.
O representante da pasta ambiental também ressaltou que a iniciativa aborda os desafios impostos pelas fragilidades socioeconômicas do país. “Melo explicou que a medida envolve a forma como enfrentamos nossas vulnerabilidades socioeconômicas, que são históricas, mas foram agravadas nesse contexto em que a mudança do clima se materializa, se faz presente e desafia as várias agendas e políticas de desenvolvimento setoriais.”
Planejamento baseado em evidências científicas
Para o coordenador-geral de Ciência do Clima do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Márcio Rojas da Cruz, a tecnologia entrega insumos essenciais para a formulação de políticas públicas voltadas à resiliência urbana e rural.
“São as primeiras informações necessárias para se começar a pensar em adaptação. Não se pensa em adaptação sem, antes de mais nada, começar a vislumbrar como será o nosso futuro do ponto de vista climático”, apontou o coordenador.
A interface do sistema consolida métricas sobre eventos extremos e padrões de precipitação para quatro cenários distintos de elevação da temperatura do planeta: 1,5°C, 2°C, 3°C e 4°C, facilitando a análise geográfica dessas transformações.
O gerente de soluções da RNP, Christian Miziara, pontuou que o grande diferencial é a centralização dos dados. “Em uma única interface, é possível visualizar indicadores de temperatura e precipitação, considerando os cenários de aquecimento. Isso ajuda a compreender como as ameaças climáticas podem se comportar à medida que a temperatura global aumenta”, disse.
Próximos passos e expansão de dados
A democratização do acesso aos estudos científicos foi enfatizada por Jean Ometto, pesquisador sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). “As projeções climáticas são um aspecto central, dentro do cálculo de risco, para que possamos planejar. Isso tudo, obviamente, embute uma incerteza, mas a ciência vai buscando justamente trazer a informação mais clara, mais robusta e mais transparente possível para que se possa trabalhar com planejamento”, afirmou.
Responsável pela demonstração oficial da tecnologia, o pesquisador do INPE Gilvan Sampaio destacou que a interface atual representa a primeira versão e conta com navegação simplificada, permitindo futuras melhorias e o download de informações por região e bioma.
“Nós vamos incluir outras variáveis, como umidade relativa, vento, radiação e que são importantes também para os grupos de pesquisa, pesquisadores e para os diversos usuários, inclusive a população, para ter uma informação confiável sobre a mudança do clima”, concluiu.















