A Justiça do Rio de Janeiro aceitou a denúncia do Ministério Público estadual contra a médica Geysa Leal Correa pela morte da paciente Aline Heloisa Lima Santos de Oliveira. O óbito aconteceu em decorrência de complicações após uma cirurgia de lipoescultura realizada em novembro de 2023.
Suspensão das atividades médicas
O processo tramita na 4ª Vara Criminal da Comarca de São Gonçalo, juízo que acolheu a acusação e determinou o afastamento cautelar da profissional, proibindo-a de exercer a medicina imediatamente após o recebimento da peça acusatória.
Detalhes da cirurgia e do atendimento
A intervenção cirúrgica ocorreu nas dependências do Centro Médico Icaraí, situado na região central de São Gonçalo, na Região Metropolitana fluminense. Conforme apurado pelos investigadores, a profissional perfurou o intestino da vítima em três locais diferentes durante a execução da técnica estética.
Logo após a intervenção, a paciente manifestou sintomas como dores fortes e falta de ar, mas os relatos teriam sido ignorados pela médica. A transferência para o Hospital do Coração Samcordis só ocorreu no dia posterior, quando o estado de saúde já era gravíssimo. Aline Heloisa veio a óbito nove dias mais tarde, em 22 de novembro, vítima de uma infecção generalizada.
Falta de especialização e histórico
Os promotores apontam que a ré não possui registro de especialista em cirurgia plástica. Além disso, o estabelecimento de saúde onde o procedimento foi executado carecia de equipamentos e estrutura indispensáveis para o suporte a emergências médicas graves.
O órgão ministerial destacou no processo “que a médica denunciada já tinha um histórico marcado por sucessão de tragédias envolvendo suas pacientes – inclusive já tendo sido denunciada por homicídio pelo MPRJ – evidenciando o descaso com a vida humana”.
De acordo com levantamentos da Promotoria, há registro de ao menos outros três falecimentos decorrentes de cirurgias de lipoaspiração e lipoescultura conduzidas pela mesma profissional, além de episódios que deixaram sequelas e deformidades definitivas nas vítimas.
Posicionamento do conselho profissional
Procurado para comentar o caso, o Conselho Regional de Medicina do Rio (Cremerj) declarou por meio de nota oficial que a situação cadastral da investigada está regular perante o órgão. “Até o momento, não foi recebida nenhuma notificação judicial a respeito do caso. O Cremerj reitera que, ao receber, cumprirá qualquer ordem judicial”.















