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Servidores do Tribunal de Contas de Mato Grosso são investigados por desvios milionários

Investigação da Polícia Federal aponta esquema com contratos irregulares e saques em espécie no tribunal.

Três funcionários do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), alvos da Operação Tomada de Contas, são suspeitos de movimentar aproximadamente R$ 28 milhões em repasses irregulares. As prisões ocorreram na última quinta-feira (29), com base em autorização expedida pelo ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que mira um esquema de fraudes em contratos e pagamentos da corte de contas.

Operadores financeiros e movimentações atípicas

O maior volume de recursos foi concentrado em nome do advogado Gustavo Fernandes da Silva, apontado como operador financeiro do esquema e assistente jurídico do consultor jurídico-geral do TCE-MT, Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, que também foi preso. Gustavo teria recebido R$ 15,8 milhões divididos em 144 ordens bancárias por meio de oito contas em sete bancos diferentes.

“Além de figurar entre os principais beneficiários das transferências realizadas, o investigado aparece em diversos episódios registrados pelas câmeras da instituição financeira, realizando operações que, segundo a Polícia Federal, evidenciam atuação direta na conversão dos recursos em espécie”, diz a decisão.

Saques volumosos e transporte de dinheiro

Outro investigado, o advogado Felipe José Glinke, recebeu R$ 9,9 milhões, sendo R$ 9,6 milhões movimentados por 80 ordens bancárias avulsas distribuídas em oito contas de seis instituições financeiras. A Polícia Federal registrou quatro gravações dele em bancos entre setembro e outubro de 2025.

O papel do transporte de valores

O terceiro servidor citado é Adriangelo Barros Antunes, ex-secretário-executivo de comissão permanente do TCE-MT e ex-cunhado do presidente da Corte, Sérgio Ricardo de Almeida, que também foi preso na mesma operação. Adriangelo teria recebido R$ 2,28 milhões e atuado no transporte de parte do montante sacado pelo grupo.

Em meados de outubro de 2025, um indivíduo com características físicas semelhantes às dele foi filmado entrando em uma agência bancária com uma mochila vazia e retornando com ela aparentemente pesada em direção à sede do tribunal. A apuração também revelou repasses de valores para a esposa, a filha e outra pessoa não identificada, caracterizando indícios de ocultação patrimonial.

Contexto da Operação Tomada de Contas

A ofensiva policial deflagrada em 29 de janeiro investiga fraudes em contratos administrativos e pagamentos do órgão. Além dos três servidores, foram detidos o presidente Sérgio Ricardo de Almeida, o consultor jurídico-geral Grhegory Paiva Pires Moreira Maia e a chefe de gabinete Roseli Loss.

Conselheiros como Guilherme Maluf, José Carlos Novelli, Alisson Alencar e o aposentado Valter Albano foram alvos de mandados de afastamento. A investigação aponta que a suspensão de contratos servia para pressionar fornecedores, enquanto pagamentos ocorriam fora da folha oficial, com destaque para cerca de R$ 15,6 milhões sacados pelo presidente afastado em 150 operações realizadas ao longo de 2025.

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