A Polícia Federal estima que as fraudes investigadas no Tribunal de Contas de Mato Grosso possam ultrapassar a marca de R$ 145 milhões, levantando suspeitas sobre o envolvimento de mais pessoas no esquema.
Detalhes da Operação Tomada de Contas
A ofensiva policial foi autorizada pelo ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça, resultando na prisão do presidente da Corte, Sérgio Ricardo de Almeida, além de outros cinco investigados. Para evitar a ocultação de patrimônio, o magistrado determinou restrições patrimoniais severas, limitando transações comerciais acima de R$ 50 mil e operações societárias.
O documento judicial destaca: “Destaca que, embora a medida de sequestro patrimonial alcance aproximadamente R$ 145.000.000,00, haveria indícios de que a extensão dos delitos ainda não foi completamente identificada”.
Movimentações financeiras e apreensões
Entre 1º de janeiro e 22 de outubro de 2025, a corporação mapeou R$ 75,8 milhões em transações suspeitas ao longo de 294 dias. Além disso, o orçamento do órgão previa R$ 140,1 milhões para indenizações em 2026, montante que poderia ser incrementado.
Durante as diligências, as equipes apreenderam R$ 4,3 milhões em dinheiro vivo, dezenas de veículos, armas de fogo e 167 relógios de luxo. Valores em moedas estrangeiras também foram recolhidos, incluindo dólares, euros, libras esterlinas e pesos argentinos.
Esquema de fraudes e “folha paralela”
As investigações apontam que o grupo utilizava artifícios como a suspensão de contratos administrativos para coagir fornecedores, além de operar uma “folha paralela” para repassar verbas públicas a conselheiros e servidores por meio de canais financeiros destinados a fornecedores.
Apenas o presidente afastado realizou cerca de 150 saques em espécie totalizando aproximadamente R$ 15,6 milhões no mesmo período de 2025.
Alvos e afastamentos
Além das prisões de Sérgio Ricardo, do consultor jurídico-geral Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, do servidor Adriangelo Barros Antunes, da secretária-executiva Roseli Loss e dos advogados Felipe José Glinke e Gustavo Fernandes da Silva, a decisão judicial afastou conselheiros como Guilherme Maluf, José Carlos Novelli, Alisson Alencar e o aposentado Valter Albano.
As apurações continuam em andamento para esclarecer a totalidade dos desvios, o paradeiro do dinheiro e a possível participação de novos suspeitos nas práticas de corrupção e lavagem de dinheiro.















