O vereador Rafael Ranalli (PL), de Cuiabá, tornou-se alvo de uma representação formal na Polícia Civil e no Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) devido à publicação de um vídeo que vinculava incorretamente uma apresentação cultural de matriz africana a um ato político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Contexto das imagens e repercussão jurídica
A acusação aponta indícios de discriminação religiosa e argumenta que a postagem estimulou manifestações de ódio contra crenças afro-brasileiras. O registro original exibe o cantor Joia de Couro durante a Marcha para Exu, ocorrida em 16 de agosto na Avenida Paulista, em São Paulo. No entanto, o material foi veiculado nas redes sociais como se fizesse parte de uma manifestação de campanha do petista realizada no mesmo endereço em 11 de outubro.
A postagem do parlamentar trazia o título “Campanha de Lula vira ritual de invocação”, acompanhada de um texto que classificava a performance como um suposto “ritual satânico”. O trecho em questão apresenta o músico interpretando uma canção que cita “Satanás”. Os denunciantes sustentam que o uso do conteúdo reforça estigmas contra tradições afro-brasileiras e enfatizam que elementos dessas crenças não devem ser julgados sob uma ótica exclusivamente cristã.
Retratação e checagem de fatos
Diante da repercussão, o político deletou o conteúdo e publicou uma retratação no dia posterior, exibindo duas gravações simultaneamente para admitir o equívoco. “Errata: o vídeo da esquerda não é da manifestação de domingo do PT”, informou. Diversas agências de checagem, como UOL Confere, Aos Fatos e AFP Checamos, também desmentiram a ligação entre as ocasiões. Em 14 de outubro, a ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ordenou a exclusão de publicações ligadas à desinformação nas redes.
Histórico de controvérsias do parlamentar
O incidente amplia a lista de polêmicas envolvendo a conduta pública do parlamentar. A Polícia Civil já conduz um inquérito para apurar ofensas direcionadas ao vereador Daniel Monteiro (Republicanos) durante uma sessão plenária na Câmara de Cuiabá realizada em 19 de maio.
Adicionalmente, o político foi alvo de uma denúncia no MPMT em 9 de outubro por conta de uma postagem no Instagram contendo ataques a nordestinos. Em outra frente, a Associação da Parada do Orgulho LGBTQIA+ de Mato Grosso e a Defensoria Pública acionaram a Justiça contra declarações consideradas transfóbicas e desumanizantes, proferidas durante a discussão de um projeto de lei que restringe a definição de gênero ao sexo biológico no esporte.















