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Eleitores de todas as idades vão às urnas pelo futuro do país

Da estreia de jovens de 16 anos à determinação de idosos com 95 anos, cidadãos exercem o direito ao voto nas eleições deste domingo.

Aos 95 anos, Horácio da Silva não se furtou ao direito de votar neste domingo (25), mesmo em uma idade em que não precisava sair de casa para escolher quem vai governar o Brasil nos próximos quatro anos. O aposentado compareceu à única escola pública do Varjão, na periferia do Distrito Federal, vestindo a camisa de seu candidato e contou com a ajuda da neta, a contadora Rayane Ferreira da Silva, para garantir a participação no pleito.

O peso das gerações na democracia

Antes mesmo do próprio voto, ela fez questão de atender ao desejo do Seu Horácio. “Meu avô se preocupa com os outros, com os filhos, netos, bisnetos e até os tataranetos que tem. Ele quer deixar um país melhor para a gente”. O idoso reforçou o pensamento ao afirmar: “Tem que votar para melhorar o Brasil”.

Enquanto trajetórias longas marcam presença nas urnas, o pleito de 2026 também registra estreias. É o caso de Maria Teresa Neves Hora, que completou 16 anos recentemente e votou pela primeira vez na Asa Norte, acompanhada da família. “É muito importante que os adolescentes votem, porque isso impacta a vida de todo mundo”, declarou a jovem, acrescentando: “Quero um país que tenha mais igualdade social, que todo mundo tenha oportunidades de fazer o que quer na vida e melhorar. Também [desejo] um país mais amável com todo mundo, independentemente da religião ou de qualquer outra coisa.”

Trabalhadores e voluntários garantem o pleito

A rotina profissional também não impediu que eleitores cumprissem o dever cívico logo nas primeiras horas do dia. O chapeiro Janaildo Santana votou cedo antes de seguir para o expediente em Brasília: “Quero que meu país melhore na saúde, educação e segurança. Não dá para ficar em casa e achar que vai tudo se resolver, porque estará entregando seu futuro nas mãos do próximo.”

Além dos eleitores, a estrutura da votação conta com a dedicação de voluntários. A professora Orícia Azevedo Chaves atua na Justiça Eleitoral desde os 18 anos e hoje preside a seção no Varjão. “Sinto que estou fazendo minha missão de cidadã, exercendo meu dever. Vai além dos benefícios, como ter folgas [no trabalho] e isenção na inscrição de alguns concursos.” No papel de fiscal de partido, a professora Ecleidiane Nascimento dos Santos destacou a vigilância do processo: “Um fiscal da cidade conhece de perto todas as pessoas e pode verificar se está tudo ocorrendo certinho, se não há nenhum tipo de erro, boca de urna, compra de votos ou indução ao voto ao candidato que interessa a quem está levando o outro para votar e, assim, obrigando as pessoas a votarem nele também.”

Motivações e direitos garantidos

Com mais de 158 milhões de eleitores aptos no país, as motivações variam. O auxiliar de almoxarifado Marcio Sampaio defende mudanças rigorosas: “O povo deve acordar porque, desse jeito, a coisa está feia. Temos que mudar as leis desse país. A criminalidade está demais. Sou pela diminuição da maioridade penal também. O menor tem que responder pelos seus atos porque a violência é geral.”

Por sua vez, o estudante João Lucas Sousa Rodrigues, de 19 anos, votou carregando sua identidade: “Sou um homem preto, gay, sou da Universidade Federal de Brasília, sei de onde eu, minha mãe e minha família viemos, sei o que passei também na minha infância. Então, voto hoje por quem minha mãe e eu somos”. Já os irmãos aposentados Dagoberto e Poliana Fernandes Leite destacaram a proteção social. Poliana enfatizou a importância do BPC/LOAS: “Não quero perder nosso benefício. Com ele, compro comida para casa, ajudo minha mãe nas contas de luz, água e IPTU. Somos cinco [pessoas] lá e não posso trabalhar, por causa da epilepsia.”

Diálogo e participação social

Em um cenário marcado por polarização, a busca por representatividade e diálogo esteve presente nas falas de eleitores como Taylla Gabriele: “A gente pode ser de um lado ou de outro. Mas, de fato, o que importa é ter voz. Não é só mais um voto. A grande maioria faz a representação e o grande todo faz acontecer”.

A enfermeira Eliane Gomes dos Santos, parte do eleitorado do Distrito Federal, resumiu a relevância da política no cotidiano: “A gente não discute muito sobre política. Mas somos seres sociais e não deve existir o apolítico. Todo mundo é político.” Defendendo o respeito às divergências, ela concluiu: “A gente precisa daqueles que já são ‘nossos’ e, também, das pessoas que pensam diferente e, inclusive, até daqueles que pensam muito diferente. É importante até mesmo para a gente ir galgando ganhos, ao longo da nossa trajetória.”

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