O Ministério Público de Mato Grosso e os familiares do advogado Renato Nery uniram forças no Tribunal de Justiça para impedir qualquer abrandamento na punição de Alex Roberto de Queiroz Silva. O marceneiro recebeu uma condenação de 33 anos e 10 meses de regime fechado devido ao homicídio do jurista, ocorrido em julho de 2024 na capital mato-grossense, mas a Defensoria Pública apresentou recurso para tentar diminuir esse período.
A estratégia da defesa
Argumentos da defesa e da acusação
Enquanto a defesa aponta que o juiz responsável pelo caso teria considerado fatores de outros envolvidos para inflar a punição, o Ministério Público defende que a gravidade dos fatos sustenta a decisão integral. A acusação destaca elementos como a preparação minuciosa, o risco gerado à sociedade e a promessa de pagamento financeiro pelo crime.
Durante o julgamento, o próprio atirador confessou ter aceitado cometer o homicídio em troca de cerca de R$ 100 mil, embora as investigações apontem que o acordo totalizador girou em torno de R$ 200 mil. O promotor Rodrigo Ribeiro Domingues pontua que tais circunstâncias exigem rigor na avaliação da conduta.
Detalhes da execução
O planejamento e o risco na avenida
A frieza na preparação incluiu monitoramento da rotina, recebimento de armamento e uma visita anterior ao escritório da vítima. O criminoso relatou que esteve no local um dia antes, mas recuou momentaneamente antes de retornar para efetuar os disparos fatais em pleno horário comercial.
O crime aconteceu por volta das 9h em uma via de grande circulação, utilizando uma pistola modificada capaz de disparos sequenciais. Uma das balas atravessou a rua e atingiu um comércio, evidenciando o perigo a que pedestres e motoristas foram expostos.
O impacto emocional
O trauma familiar e a disputa por terras
O sofrimento dos parentes também fundamenta a petição enviada ao TJMT. Lívia Nery estava próxima ao local e deparou-se com o pai agonizando, cena marcante relatada perante o júri popular.
As investigações apontam que o crime teve motivação em um litígio pela Fazenda Atlântida, avaliada em R$ 70 milhões. Empresários são apontados como mandantes e um policial militar como intermediário. Questionado no tribunal, o executor admitiu a autoria dos disparos, mas negou conhecer os mandantes, afirmando agir por endividamento. “Eu fui lá e matei o advogado. Depois falei para ele (Heron) que matei o advogado”, declarou o réu durante o interrogatório.
Conclusão do processo Agora, caberá aos desembargadores estaduais avaliarem os argumentos apresentados pela Defensoria Pública, enquanto a acusação e as filhas da vítima lutam para preservar a sentença integralmente.
















