Polícia

Pgr muda de ideia e quer preso consultor do tce que movimentou r$ 32 milhões

Órgão ministerial recuou de medidas alternativas após novas provas e pediu a manutenção da custódia preventiva no supremo tribunal federal.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) mudou de posição e passou a defender a manutenção da prisão preventiva do consultor jurídico-geral do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, alvo da Operação Tomada de Contas.

Reviravolta no Supremo Tribunal Federal O novo posicionamento foi protocolado em manifestação enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde tramita um habeas corpus impetrado pela defesa. O investigado está custodiado no Complexo Penitenciário Ahmenon Lemos Dantas, localizado em Várzea Grande, após ordem de prisão preventiva emitida pelo ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Movimentação financeira e suspeitas de desvios Segundo os órgãos de persecução penal, o consultor teria atuado como o principal articulador no esquema investigado por crimes como peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Entre janeiro e outubro de 2025, os registros apontam o recebimento de R$ 32,31 milhões, sendo que a maior parte — R$ 31,64 milhões — foi repassada mediante 179 ordens bancárias avulsas pulverizadas em 12 contas de nove bancos diferentes.

Imagens e evolução patrimonial sob escrutínio As apurações também destacam registros de câmeras internas de uma agência bancária dentro do próprio TCE, onde o suspeito foi filmado guardando maços de dinheiro em uma mochila. Além disso, o patrimônio declarado teria saltado de R$ 1,84 milhão em janeiro de 2025 para R$ 7,61 milhões dez meses depois, representando uma alta de cerca de 314%.

Uso de empresas na mira da investigação Os investigadores também apontam o emprego de holdings e companhias, como a Maia Reining Horses Ltda., fundada em meados de 2025 para o setor equino, como possíveis instrumentos para ocultar valores e bens.

Novas evidências mudam o tom da procuradoria Inicialmente, o órgão ministerial havia avaliado que restrições cautelares diversas da prisão — como afastamento do cargo, uso de tornozeleira eletrônica e bloqueios — seriam suficientes. Contudo, a reviravolta ocorreu após apreensões expressivas com outro investigado, incluindo dezenas de armas, milhares de munições e somas vultosas em dinheiro vivo, o que levou a PGR a concluir que medidas brandas seriam ineficazes para proteger as diligências.

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