O episódio Trabalho escravo doméstico: silêncio e servidão, exibido pelo programa Caminhos da Reportagem na TV Brasil, conquistou a primeira colocação na categoria vídeo da 48ª edição do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. O resultado oficial da premiação foi divulgado nesta quarta-feira (30), coroando produções que abordam graves violações de direitos fundamentais no país.
Histórias de superação e denúncia
Veiculada no dia 20 de abril de 2026, a matéria vencedora expõe a realidade dramática de mulheres submetidas a práticas ilegais e debate caminhos eficientes para o acolhimento e suporte pós-resgate. Entre os casos retratados está o de Madalena Gordiano, resgatada em Patos de Minas no final de 2020 após passar mais de três décadas exercendo funções domésticas sem remuneração e sem documentação legal, depois de ingressar na residência sob a falsa promessa de ser uma afilhada.
A repercussão nacional desse caso específico impulsionou novas denúncias e viabilizou o resgate de outras vítimas em circunstâncias semelhantes por todo o território brasileiro. Além disso, o programa concorreu com outra grande produção finalista: O Eterno Abril de Carajás: 30 anos de um massacre, que relembra a repressão no campo ocorrida no Pará em 1996.
Reconhecimento à comunicação pública
“Este trabalho é fruto de um esforço coletivo da equipe do Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, da qual tenho muito orgulho de fazer parte. Receber o 48º Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos é um reconhecimento que, para nós, também reafirma a importância e a responsabilidade da comunicação pública no Brasil”, destacou a repórter Marieta Cazarré. “Falar sobre trabalho escravo doméstico é especialmente desafiador porque essa violação acontece dentro das casas brasileiras, muitas vezes longe dos olhos da sociedade.”, acrescentou.
Para Paulo Leite, editor de texto do programa, “é um orgulho imenso vencer um prêmio tão importante contando histórias que ficaram anos ou décadas escondidas. É a comunicação pública fazendo seu papel. Agradeço a quem topou conversar conosco e a todos que participaram desse projeto.”
Já a produtora Patrícia Araújo agradeceu aos parceiros do Rio de Janeiro, São Paulo e da Rede Minas, que registraram com extrema sensibilidade cada depoimento dessas mulheres que tiveram anulados seus direitos, sua identidade e sua dignidade.
“Nós só colocamos luz sobre essas histórias, esperando que os horrores da escravidão doméstica não mais se repitam no País. Daí a importância de um Prêmio como Vladimir Herzog, que reconhece o jornalismo público como fonte de Direitos Humanos no Brasil. Muito honrada!”
Destaque na fotografia
Além do troféu na categoria vídeo, a Agência Brasil também marcou presença entre os vencedores com o registro fotográfico Viúva se despede do marido morto na operação policial mais letal do Rio de Janeiro, capturado pelo profissional Tomaz Silva. A imagem exibe a comoção de Fernanda da Silva Martins ao abraçar o corpo do companheiro durante a ação realizada em outubro de 2025.
A presidente da EBC, Antonia Pellegrino, pontuou a relevância social das conquistas:
“Os dois trabalhos premiados levam o público a lugares onde a dor costuma ficar escondida: o chão da Penha no dia da operação policial mais letal da história do Rio e o interior das casas onde mulheres ainda são mantidas em condição de escravidão. Essa é a vocação do jornalismo público: dar visibilidade a quem o país insiste em não ver e colocar os direitos humanos no centro da cobertura. O Prêmio Vladimir Herzog carrega a memória de um jornalista assassinado pela ditadura por fazer o seu trabalho. A EBC foi premiada duas vezes nesta edição. Esse resultado mostra a consistência das equipes da Agência Brasil e da TV Brasil. Parabenizo Tomaz Silva, Marieta Cazarré e toda a equipe do Caminhos da Reportagem. Parabenizo também Thiago Padovan e os colegas de O Eterno Abril de Carajás, que chegaram à final”, disse Antonia.
Reforçando o coro de valorização da imprensa, a diretora de Jornalismo da EBC, Myrian Pereira, concluiu:
“Esses dois prêmios são motivo de orgulho para a EBC e reconhecem a força das nossas equipes. Tanto a fotografia de Tomaz Silva quanto o Caminhos da Reportagem sobre trabalho escravo doméstico colocam no centro pessoas cujas dores e histórias precisam ser vistas e ouvidas. São trabalhos que rompem o silêncio, expõem violações e nos convocam a enfrentar essas realidades. Esse é o compromisso do jornalismo público que fazemos: informar com rigor e sensibilidade, em defesa dos direitos humanos e da democracia”, disse Myrian.









