Pesquisa inédita aponta que a maioria dos cristãos no Brasil repudia o uso de igrejas como palanques eleitorais ou ferramentas de indicação de voto por lideranças religiosas.
Entendimento da base de fiéis
Dados do levantamento indicam que 83% dos entrevistados reprovam a recomendação de candidatos por pastores e padres. Além disso, 82% são contrários a debates políticos durante cultos e missas, enquanto 90% rejeitam totalmente a realização de campanhas eleitorais dentro dos templos.
O impacto da polarização nos templos
O pastor Lucas Oliveira, de Nova Iguaçu, relata as consequências negativas que a mistura entre religião e política gerou em comunidades religiosas nos últimos anos.
“Conheço pastor que lá em 2018 estava fervorosamente apoiando candidaturas, mas que hoje não quer nem tocar nesse assunto, quer esquecer que um dia fez campanha política. Porque com isso ele perdeu um número expressivo [de fiéis] da igreja. E o número não volta. Eu recebi muita gente. Nesse período, eu dialoguei com muita gente que estava machucada. Então, a igreja hoje, quando o assunto é política, se tornou um lugar de pessoas machucadas”, relata.
Atuação política nas plataformas digitais
Apesar do afastamento nos templos, a influência religiosa permanece forte por meio das redes sociais e de aplicativos de mensagens, como o WhatsApp, que servem para articulação de comunidades.
“As redes sociais e o WhatsApp permitem que a religião esteja na política sem passar pelo púlpito. A mensagem política chega pelo grupo da igreja, pelo influenciador religioso ou pelo vídeo compartilhado pela família, sem a formalidade de uma indicação no culto. Assim, a mediação religiosa se desloca do templo para um ambiente digital mais difuso, mas igualmente ancorado em relações de confiança”, afirma a pesquisadora Lívia Reis.
Radiografia e diversidade do segmento
Realizada por meio de 15 mil entrevistas presenciais em 412 municípios, a radiografia detalha que os evangélicos representam 29% da população brasileira, enquanto os católicos somam 50%. A pesquisa demonstra ainda que valores morais ganham destaque no debate público, embora existam convergências em pautas sociais práticas entre diferentes grupos de fiéis.
Disputas jurídicas e contexto eleitoral
O cenário político recente também registrou embates judiciais envolvendo símbolos religiosos e decisões de ministros de tribunais superiores a respeito de postagens na internet durante o período de campanha.









