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Ataques contra jornalistas superam 14 mil em redes sociais durante o primeiro turno

Relatório aponta que profissionais mulheres foram os principais alvos e concentraram quase 65% das agressões mapeadas no período eleitoral

Pesquisa recente revelou que veículos de imprensa e profissionais da comunicação enfrentaram 14.182 investidas agressivas em plataformas digitais durante as 5 semanas iniciais do pleito, entre 16 de agosto e 4 de outubro, totalizando uma média diária de 283 ocorrências focadas nas redes X e Instagram.

Escalada de violência na reta final

O monitoramento examinou 3,7 milhões de postagens ao longo de 50 dias, acompanhando 652 termos depreciativos e hashtags ofensivas. Os registros subiram de 2.630 na primeira quinzena para 4,4 mil na segunda — um salto de 67,3% —, alcançando o ápice na última semana com 327 incidências por dia e um total de 4.537 registros.

Mensagens com termos como “fake news”, “jornalista militante”, “imprensa golpista” e acusações de manipulação de pesquisas integraram a estratégia para minar a credibilidade tanto dos veículos quanto dos repórteres.

Impacto sobre as mulheres na imprensa

Quando o foco recaiu sobre profissionais individualmente identificados, o estudo apontou que as jornalistas mulheres representaram 64,8% dos alvos, somando 2.013 agressões que misturaram questionamentos profissionais, xingamentos sexuais, misoginia e estímulos à violência física.

O levantamento detalha que a corrida presidencial esteve no centro de quase 80% das investidas que tiveram o contexto eleitoral mapeado.

Consequências para a democracia

O levantamento “Cobrir as eleições, enfrentar a violência: uma análise dos ataques à imprensa no primeiro turno de 2026” foi desenvolvido pela Coalizão em Defesa do Jornalismo (CDJor) em parceria com o Laboratório de Internet e Ciência de Dados (Labic), da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), e o Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS Rio).

“Vemos uma enxurrada de ataques digitais com o intuito de descredibilizar e, muitas vezes, intimidar o trabalho de jornalistas nas redes sociais”, diz a coordenadora jurídica da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Leticia Kleim.

“O resultado disso afeta não somente as vítimas diretas dos ataques, mas gera um prejuízo coletivo à sociedade, pela tentativa de silenciar o trabalho de jornalistas que têm um papel fundamental na democracia, ainda mais evidente no período eleitoral”, acrescenta, Kleim.

O documento aponta que o assédio virtual resultou em repórteres ameaçados após contatar fontes, equipes sob pressão devido à linha editorial e profissionais obrigados a avaliar riscos de segurança antes de cobrir os fatos, ameaçando a livre circulação de informações públicas. A CDJor congrega 11 entidades do setor, incluindo Abraji, Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), Jeduca e Repórteres sem Fronteiras.

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