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Governo reduz projeção de superávit comercial brasileiro para 2026

Ajuste nas estimativas decorre da retração nas cotações globais do petróleo, mas resultado ainda supera o patamar do ano anterior.

O governo federal diminuiu de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões a estimativa para o superávit da balança comercial brasileira em 2026, em decorrência da desvalorização do petróleo no mercado internacional.

Impacto do petróleo nas contas externas A retração nas projeções reflete diretamente o comportamento das cotações da commodity energética. No primeiro semestre, o barril chegou a alcançar US$ 138 após a entrada dos Estados Unidos no conflito com o Irã, mas perdeu força desde então, operando atualmente na faixa de US$ 100 para o tipo Brent.

Como o país atua tanto na venda de petróleo bruto quanto na aquisição de derivados, a flutuação altera o panorama tanto das exportações quanto das importações. A nova projeção elaborada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) contempla vendas externas de US$ 382,5 bilhões e compras de US$ 298,1 bilhões.

Desempenho histórico e metas Mesmo com o corte na expectativa oficial, o valor projetado ainda indica uma expansão de 24% sobre o montante verificado em 2025. Caso os dados se concretizem, este será o segundo maior saldo da série histórica, ficando atrás apenas do recorde de US$ 98,9 bilhões alcançado em 2023.

Para atingir a meta estipulada para o fechamento do ciclo, o país precisará acumular cerca de US$ 22 bilhões entre os meses de outubro e dezembro, patamar equivalente ao observado no mesmo período do ano passado, quando o saldo positivo foi de US$ 21,8 bilhões.

Herlon Brandão, diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, avaliou que a estimativa reflete de perto o comportamento já verificado nos últimos meses.

“Estamos prevendo três meses à frente. Então, é natural que esses números se aproximem e tenhamos já um cenário bastante consolidado para o que vai ser o fechamento do ano”, afirmou Brandão.

Balança comercial em setembro O cenário recente também foi impulsionado pelo desempenho de setembro, quando a balança comercial registrou um saldo positivo de US$ 7,74 bilhões, o que representa um avanço de 146,4% na comparação com o mesmo período de 2025. As exportações somaram US$ 34,42 bilhões, enquanto as importações recuaram para US$ 26,68 bilhões.

O principal vetor desse resultado foi o setor petrolífero. As exportações de petróleo bruto totalizaram US$ 6,49 bilhões, assinalando um salto de 77,3% em relação a setembro do ano anterior, corroborando a importância estratégica da commodity para a economia nacional.

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