A comissão parlamentar de inquérito responsável por investigar a saúde pública em Mato Grosso vai divulgar um panorama parcial das apurações em uma entrevista coletiva marcada para esta quarta-feira, a partir das 14h30, na assembleia legislativa.
Análise documental e órgãos de fiscalização
O material apresentado foi construído a partir de depoimentos colhidos anteriormente e de um vasto volume de documentos enviados por instituições como a procuradoria-geral do estado, a controladoria-geral do estado, o tribunal de contas e a polícia federal. Mesmo com a paralisação das oitivas durante as eleições, o trabalho técnico de auditoria seguiu avançando nos bastidores.
Despesas indenizatórias milionárias
Entre os dados que virão a público, destaca-se a explosão nos gastos indenizatórios da secretaria de estado de saúde, que somaram mais de r$ 1,1 bilhão entre os anos de 2019 e 2025. O documento também detalha os impactos do termo de ajuste de conduta firmado no período da pandemia, que vigorou até agosto deste ano.
“O que podemos antecipar é que a SES começou em um rumo e mudou completamente o caminho. No dia 27 de maio de 2019, ela assina um TAC com o Ministério Público, com vários objetivos e o principal era acabar ou reduzir drasticamente as compras e pagamentos por indenização. E aconteceu o contrário. O que era exceção virou regra. Esse relatório preliminar apresenta observações sobre essa movimentação financeira da SES entre 2019 e 2025 e mostra o aumento das despesas indenizatórias que não ficou restrito ao período mais crítico da pandemia da Covid-19”, adiantou Wilson Santos.
Irregularidades e alertas ignorados
O levantamento aponta ainda que advertências emitidas por órgãos fiscalizadores teriam sido desconsideradas pela gestão. Há registros de pagamentos feitos com verbas estaduais e federais para empresas sob investigação, além de falhas em plantões, inconsistências documentais e questionamentos sobre a competitividade em processos licitatórios.
Próximos passos da investigação
A divulgação antecede a retomada oficial das oitivas, agendada para o dia 7 de outubro, quando serão ouvidos o ex-secretário Gilberto Figueiredo e o atual titular da pasta, Juliano Mello.
“Depois desta CPI, aqueles responsáveis pela malversação do dinheiro público sejam punidos e parte desta grana possa ser devolvida ao Estado, e o Estado aprenda com essa lição e aperfeiçoe os mecanismos de controle interno. Porque o dinheiro é do contribuinte”, declarou.
Criada em março de 2026 com vigência prevista até janeiro de 2027, a comissão continuará cruzando dados e ouvindo testemunhas para concluir o inquérito definitivo sobre os contratos da saúde estadual.







