Milhões de candidatos com inscrições confirmadas no Exame Nacional do Ensino Médio de 2026 aguardam com expectativa a revelação do tema da prova dissertativa-argumentativa, que ocorre no primeiro dia de avaliações. Historicamente, os eixos temáticos cobrados pela banca examinadora abrangeram cidadania, direitos sociais, meio ambiente, sustentabilidade, saúde pública, grupos vulneráveis, desigualdades, economia, trabalho, tecnologia e mídia.
Horário e formato da avaliação
O mistério sobre o assunto exigido será desvendado a partir de 13h30 deste domingo (8), no horário de Brasília, momento em que o sinal sonoro autoriza o início da aplicação em mais de 1,7 mil cidades brasileiras. Ao receberem os cadernos, os participantes podem folhear o material até a última página para ler a situação-problema e os textos motivadores que servem de base para a produção textual de até 30 linhas.
Rotina de preparação dos estudantes
Enquanto a abertura dos portões não acontece, quem busca uma vaga no ensino superior intensifica o treino de escrita à mão. É o caso de Isadora Abreu, estudante do terceiro ano do ensino médio em Brasília, que prioriza temas voltados a questões sociais, educação e cultura. Almejando cursar medicina, a jovem participa do exame como treineira desde o primeiro ano para ganhar familiaridade com o ritmo da maratona.
“Como já tinha uma base boa de redação construída ao longo do ensino médio, esse ano foquei principalmente na prática das redações e também no polimento do uso de repertórios. Em média, fiz cerca de seis redações por mês no cursinho e na escola”, comenta sobre os manuscritos.
Para otimizar o tempo durante a prova, a candidata adota uma estratégia rígida de gerenciamento dos minutos disponíveis. “Começo lendo o tema da redação e fazendo meu projeto de texto. Se for um tema que tenho facilidade, já faço a redação logo. Se não, faço algumas questões enquanto penso no que vou escrever.” Nos simulados, ela reservou no máximo duas horas para o rascunho e a transcrição para a folha definitiva, garantindo três horas e meia para responder às questões objetivas com tranquilidade.
Cuidados com repertório e estrutura
A estudante também redobra a atenção para evitar fórmulas prontas de citação, conhecidas como repertórios de bolso, devido à maior exigência dos avaliadores do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). “Ao longo da minha preparação no cursinho, criei, com auxílio da minha professora, um modelo próprio de conclusão que funciona melhor para mim. Nele, tenho todas as expressões e conectivos necessários para encaixar os cinco elementos de forma fácil, rápida e usando entre quatro e cinco linhas.”
Para controlar a ansiedade na véspera, a aluna prefere seguir recomendações pedagógicas e se abster de estudos intensos neste sábado (7). “Planejo aproveitar com minha família e me distrair ao máximo – ir ao cinema, sair para tomar um café. Isso é o que funciona melhor para mim”, relata, acrescentando que costuma rezar um terço nos minutos anteriores ao início da avaliação.
Orientações de especialistas
Com duas décadas e meia de experiência na rede pública do Distrito Federal, o professor de língua portuguesa Flávio Miguel, que leciona no Centro de Ensino Médio Ave Branca (Cemab), em Taguatinga, reforça a importância da norma-padrão da língua. “Nada de expressões coloquiais ou chulas no texto”, avisa aos alunos, pontuando que cerca de 80% dos seus 280 estudantes participam do exame neste ano.
“É importante que o estudante entenda perfeitamente o tema proposto, como descrito na Competência 2, avaliada pelo Inep. Assim, poderá construir a argumentação de maneira competente, usando repertórios que tenham a ver com o tema, que sejam validados e ligados aos argumentos escolhidos”, aconselha o docente.
Sobre a proposta de intervenção, o professor lembra a obrigatoriedade de respeitar os direitos humanos e contemplar todos os critérios oficiais. “É importante apresentar todos os elementos exigidos pela Matriz de Referência do Enem: agente, ação, meio, finalidade e detalhamento, claramente definidos.” Em relação aos conectivos, ele ressalta que a presença isolada de palavras de ligação não assegura coesão. “O estudante não deve esquecer dos conectivos entre os períodos [composto por frases organizadas], pois estes que fazem a fluidez e a coerência do texto. Mas é preciso que esses recursos estabeleçam relações lógicas entre as ideias apresentadas.”
Por fim, o educador sugere a leitura de textos que alcançaram nota máxima na véspera, desde que o candidato preserve sua autoria. “Mas sem perder a individualidade, que será componente diferencial de ideias”, destaca, alertando ainda sobre o cuidado redobrado na hora da transcrição “para não trocar linhas do texto nem querer acrescentar novas informações.” Como palpite para o tema, ele aposta em tópicos ligados a economia e tecnologia.
Documentação oficial de apoio
Candidatos que desejam revisar as diretrizes de avaliação ainda podem acessar a nova edição da cartilha do participante disponibilizada no portal eletrônico do Inep. O material conta com adaptações específicas para públicos com deficiência auditiva, surdez, autismo ou dislexia, além de videoaulas em Libras publicadas no canal oficial do órgão no YouTube.















