GERAL

Mpfs realiza visita de quatro dias a terra indígena no Mato Grosso

Equipe ministerial dialogou com moradores locais para registrar demandas e atualizar andamento de processos judiciais em curso.

Uma missão institucional do Ministério Público Federal (MPF) passou quatro dias na Terra Indígena Enawenê-Nawê, situada no estado de Mato Grosso. O objetivo principal da incursão foi realizar escutas diretas com os moradores e lideranças locais, mapeando demandas prioritárias e reafirmando o compromisso do órgão com a preservação dos direitos dos povos originários.

Diálogo direto com os moradores

Durante os dias em território mato-grossense, os representantes do órgão federal conversaram extensivamente com os integrantes da etnia para estreitar laços e estabelecer canais eficientes de comunicação. “A presença em campo permitiu acompanhar de perto a realidade local, compreender seu modo de vida e registrar presencialmente as manifestações das lideranças”, destacou a servidora do MPF, Keren Baesso.

As reuniões serviram ainda para atualizar os indígenas sobre o andamento de procedimentos administrativos e processos judiciais, permitindo que a comunidade expressasse sua visão sobre o futuro dessas ações. Para garantir a compreensão mútua, os debates contaram com tradução linguística e respeitaram o cronograma dos rituais tradicionais.

Respeito à cultura local

O procurador da República Daniel Luis Dalberto pontuou que o trabalho junto à etnia exige respeito profundo às tradições e à visão de mundo dos moradores. Para o procurador da República Daniel Luis Dalberto, em nossas relações com os Enawenê-Nawê precisamos ter sensibilidade para compreensão e respeito à sua cosmologia, onde tudo se encaixa e tem um lugar definido, o que pode ser visto a partir das apresentações ritualísticas, que evidenciam a beleza estética e a força da cultura desse povo.

Ainda segundo Dalberto, a imersão na rotina da comunidade aprimora os serviços prestados pela instituição. Segundo o Dalberto, o contato direto e os diálogos no território são fundamentais para consolidar uma atuação institucional mais eficiente, humana e acessível. “A aproximação presencial assegura que o Ministério Público Federal conheça a rotina comunitária a partir da perspectiva dos próprios indígenas, orientando os trabalhos do órgão de forma respeitosa e alinhada às garantias constitucionais”, acrescentou o procurador da República.

Parceria institucional e planejamento

A operação foi organizada de maneira conjunta pelo Ofício Povos Indígenas em Isolamento Voluntário e de Recente Contato — vinculado à 6ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF — em parceria com o 2º Ofício de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais de Mato Grosso, que opera na unidade de Sinop.

Essa investida faz parte de uma série de diligências voltadas à proteção de comunidades isoladas ou de contato recente. Os dados coletados vão orientar os próximos passos do órgão, assegurando a continuidade do canal de comunicação com os habitantes da região.

“A atuação conjunta entre o órgão setorial nacional e a unidade de Sinop reforça a estratégia do MPF de manter um acompanhamento contínuo e integrado sobre as demandas das populações tradicionais em todo o estado de Mato Grosso”, ressalta o procurador-chefe do MPF em Mato Grosso, Ricardo Pael Ardenghi.

Cabe à 6ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF a responsabilidade de coordenar e unificar as diretrizes institucionais direcionadas aos povos originários, comunidades tradicionais e grupos em isolamento voluntário em todo o território nacional.

Mais notícias

Ver todas