A Justiça de Mato Grosso ordenou a remoção do engenheiro agrônomo Daniel Bennemann Frasson para o Hospital Psiquiátrico Adauto Botelho, localizado em Cuiabá. O réu responde pelo feminicídio da empresária Gleici Keli Geraldo, morta com 21 facadas, e pela tentativa de homicídio contra a própria filha, que na época tinha sete anos de idade. Até então, o acusado recebia atendimento em uma clínica particular, tratamento que já havia acumulado custos superiores a R$ 200 mil aos cofres do Estado.
Detalhes da transferência e atuação jurídica O anúncio da mudança de unidade foi feito pelo advogado Rodrigo Pouso Miranda, que atua na assistência de acusação representando os familiares da vítima, por meio de um vídeo veiculado em plataformas digitais. A decisão judicial sobre a remoção aconteceu após intervenções conjuntas do Ministério Público Estadual e dos advogados da família, que requereram uma nova avaliação das gravações capturadas na madrugada do crime ocorrido em Lucas do Rio Verde, município situado a 354 km da capital mato-grossense.
Conforme esclarecido pela representação jurídica, a permanência do investigado no estabelecimento privado ocorria unicamente pela escassez de vagas na instituição pública. Com a abertura de um leito no Adauto Botelho, a determinação legal passou a ser o cumprimento da custódia no local adequado. “Então, ele não está mais na clínica particular, porque a clínica particular era na ausência de vaga lá do Adauto Botelho. Como tem vaga lá, então é lá que ele tem que aguardar por enquanto”, explicou.
Controvérsia sobre a sanidade mental O crime aconteceu no dia 24 de junho de 2025, dentro da residência do casal, ocasião em que a criança também sofreu ataques enquanto dormia, mas conseguiu sobreviver. A estratégia da defesa de Daniel aponta que ele sofria de distúrbios psiquiátricos e não possuía discernimento sobre seus atos no momento do feminicídio e da agressão à menor.
A tese de inimputabilidade — instituto jurídico que afasta a punibilidade de quem é incapaz de entender a ilicitude de sua conduta — é fortemente contestada pela acusação. A família busca comprovar no decorrer do processo que o réu agiu com plena lucidez. “Por enquanto que ele está alegando uma inimputabilidade, do qual vamos provar que ele não é inimputável, então ele vai estar lá, agora, no Adauto Botelho”, declarou.
Premeditação e próximos passos Nas semanas anteriores, a assistência de acusação tornou públicas imagens de câmeras de segurança capturadas momentos antes do assassinato. Os registros apontam o engenheiro recolhendo uma faca, ocultando o artefato das lentes e monitorando o dormitório onde a esposa e a filha repousavam. Para os representantes da vítima, o material comprova a premeditação e a ciência dos atos praticados.
Enquanto a defesa insiste na tese de transtorno mental, os elementos probatórios continuam sob análise do Poder Judiciário para definir os rumos do processo penal.
















