Educação

Enem 2026: interpretação de texto define nota na prova de linguagens

Especialistas apontam a leitura prévia dos comandos e o estudo de exames passados como estratégias fundamentais para o sucesso na avaliação.

Dominar a interpretação de textos é um requisito tão essencial quanto memorizar conteúdos para a prova de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, etapa que integra o primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), agendado para 8 de novembro.

Previsibilidade e foco nas edições passadas

Resolver exames de anos anteriores, prestando atenção nos contextos e nos comandos das perguntas, figura entre as principais formas de preparação. O professor Eduardo Calbucci aponta que as competências cobradas em Linguagens mantêm um padrão histórico consolidado ao longo do tempo.

“O Enem tem uma matriz de referência que é a mesma desde 2009. Então, a prova tem um grau de previsibilidade bastante grande”.

“A primeira orientação que a gente dá aos alunos é estudar provas anteriores. As habilidades que estão sendo exigidas pelo Enem são as mesmas há 16, 17 anos.”

A base principal da avaliação consiste na leitura e na compreensão textual, conforme define o professor Eli Carlos Guimarães.

“Todo ano, mais de um terço das questões exige análise de gêneros textuais, como charge, artigo de opinião, resenha, canções, postagens digitais, além de variação linguística e funções da linguagem. O texto muda, mas a habilidade cobrada é totalmente previsível”.

Estratégias para otimizar o tempo

Para o estudante Pedro Augusto Rocha Rodrigues, de 18 anos, a grande quantidade de leitura presente nas questões representa um dos principais obstáculos do exame.

“Como sempre, o Enem tem muito texto, uma coisa muito bruta para ser processada, digerida. Se você não entende o comando, não tem como você resolver a questão de uma forma adequada”.

O professor Eli concorda com o Pedro e detalha que a melhor estratégia para a prova é ler primeiro o comando da questão, que fica abaixo do texto.

“Sabendo exatamente o que a banca está pedindo, você vai para o texto com um olhar focado na informação correta. Dessa forma, você economiza tempo e evita releituras desnecessárias.”

Na reta final, o docente aconselha revisar variação linguística, funções da linguagem e coesão textual, prestando atenção em conectores como “contudo”, “portanto” e “embora”, para compreender a articulação do sentido nos textos.

O que estudar em literatura

O entendimento das conexões entre o contexto histórico, as ideias de uma época e os temas das obras literárias assume papel central. O professor cita como exemplo o modernismo brasileiro e a Semana da Arte Moderna de 22, cujo cenário facilita a compreensão da busca por novas formas de expressão.

Entre os conteúdos e autores que merecem revisão, Eli destaca:

“Modernismo, principalmente a primeira e segunda fases, com Drummond, Graciliano Ramos, Cecília Meirelles, o realismo de Machado de Assis e o romantismo. Também ficar atento à literatura contemporânea, porque ela dá voz a pautas sociais, como as obras de Conceição Evaristo, Carolina Maria de Jesus e a literatura indígena”.

Dicas para as línguas estrangeiras

Na prova de Inglês, torna-se necessário ir além da leitura convencional, conforme pontua o professor Tiago Gentil.

“O Enem tende a empregar não somente textos e interpretação, mas a relação entre imagens, diagramas, situações do dia a dia e documentos. Não é se ater somente ao vocabulário, à gramática, mas se atentar a contextos, à mensagem global do que está sendo dito”.

Conforme Gentil, poemas em língua inglesa surgiram com mais frequência nas edições recentes do exame.

No caso do Espanhol, o professor Júlio Manuel Sanchez Tello recomenda cautela redobrada com os falsos cognatos, que são termos semelhantes em ambos os idiomas mas com significados distintos.

“Por exemplo: para nós, falantes da língua espanhola, algo esquisito é algo requintado, é algo saboroso, é algo delicioso. Não o esquisito de raro, de raridade e rareza como seria na língua portuguesa”.

O docente acrescenta que a estrutura da avaliação de Espanhol costuma trazer dois ou três textos em espanhol acompanhados de cinco questões redigidas em português, com foco essencial na interpretação.

“Gramática pura aparece pouquíssimo. Sinônimos e antônimos aparecem dentro do contexto do próprio texto. A sintaxe é raríssima.”

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