Política

Cuiabá tem alta no endividamento das famílias em agosto

Inadimplência permanece estável na capital de Mato Grosso, segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio

Por REDAÇÃO | 24/09/2026 00:52

Após registrar cinco meses consecutivos de retração, o índice de endividamento das famílias em Cuiabá voltou a crescer no mês de agosto, alcançando 83,5%. O avanço foi de 0,2 ponto percentual na comparação com o mês anterior, atingindo um total estimado em pouco mais de 209,5 mil lares com débitos ou contas a pagar na capital mato-grossense.

Estabilidade na inadimplência

Apesar do encarecimento momentâneo do endividamento, o levantamento elaborado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontou estabilidade entre os consumidores com contas em atraso, mantendo o patamar de 16,3%, exatamente o mesmo índice verificado em julho.

De acordo com a avaliação do Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT), a manutenção da inadimplência mesmo diante da alta de novos débitos demonstra que a contratação de crédito não resultou, até o momento, em um impacto proporcional na capacidade de pagamento da população local.

Retração no uso do cartão de crédito

Ainda que continue liderando o ranking das modalidades de dívida, o cartão de crédito registrou uma leve baixa mensal, indo de 87,6% em julho para 86,9% em agosto. Na sequência aparecem os carnês, respondendo por 19,3%, os financiamentos de veículos, com 7,9%, o crédito pessoal, com 7,7%, o consignado, com 6%, e o financiamento imobiliário, com 5%.

Para o presidente da Fecomércio-MT, Sebastião Gonçalves (Tião da Zaeli), o cartão de crédito tem deixado de ser uma opção para algumas famílias em razão das elevadas taxas de juros, que ultrapassam 436% ao ano, segundo dados de julho de 2026 do Banco Central do Brasil.

Ao comentar os resultados da pesquisa, Tião destacou que a concentração das dívidas no cartão de crédito evidencia a preferência por uma modalidade de acesso rápido ao consumo. “No entanto, seu uso também aumenta a exposição das famílias aos custos financeiros associados ao crédito rotativo”, explicou o presidente da Fecomércio-MT. O Banco Central também aponta que o parcelamento do cartão apresenta taxa de juros de 189,3% ao ano.

Impacto das dívidas prolongadas

A preferência por parcelamentos estendidos afeta o poder de compra da população por prazos mais longos. O estudo da CNC aponta que 37% dos entrevistados estão nessa condição há mais de um ano, enquanto 33,5% acumulam débitos entre três e seis meses. Outros 18,6% possuem pendências há menos de três meses, e 10,2% estão endividados por um período de seis meses a um ano.

Ao analisar esse cenário, Tião da Zaeli observou que “o elevado comprometimento com dívidas de longo prazo demonstra que parte relevante das famílias permanece com sua renda futura vinculada a obrigações financeiras, limitando a margem para novos gastos”.

No que se refere à perspectiva de quitação dos débitos atrasados, 40,1% dos participantes acreditam que não conseguirão sanar o valor em aberto, ao passo que 30,6% esperam liquidar ao menos uma parcela e 28,7% preveem quitar o montante total. Entre aqueles com contas em atraso, 6,5% acham que não conseguirão pagar o que devem, taxa superior aos 6,2% observados em julho.

Comparativo com o cenário nacional

No panorama brasileiro, a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) manteve-se estável em 82,0% no mês de agosto, o que representa cerca de 14,97 milhões de famílias endividadas em todo o país. O grupo de inadimplentes apresentou leve recuo, passando de 5,54 milhões para 5,53 milhões de pessoas.

Para o IPF-MT, a discrepância entre a realidade cuiabana e o comportamento estável do índice nacional evidencia a força que fatores locais — como renda, nível de emprego e atividade econômica — exercem sobre o crédito, mantendo a capital de Mato Grosso em uma situação um pouco mais vantajosa que a média do Brasil.