A Câmara Municipal de Cuiabá declarou nesta terça-feira (20) que eventuais desvios de conduta cometidos por parlamentares devem ser apurados de forma isolada, após dois membros da Casa se tornarem alvos de uma operação do Ministério Público.
Operação Cathedra Venalis
A ofensiva batizada de Operação Cathedra Venalis foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado com o emprego de mais de 200 agentes públicos. A ação cumpriu dezenas de mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães, mirando suspeitas de corrupção, extorsão e ameaças durante articulações políticas.
Entre os investigados estão Ilde Taques, eleito para presidir a Câmara de Cuiabá no biênio 2027/2028, e o vereador Alex Rodrigues, ambos filiados ao Podemos. No total, 15 parlamentares das duas maiores cidades do estado aparecem sob suspeita, além de servidores públicos vinculados ao Poder Legislativo de Várzea Grande.
Investigação sobre a eleição
As apurações giram em torno de um suposto esquema de corrupção e compra de votos articulado para a disputa da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande. O presidente daquela casa, Wanderley Cerqueira, figura como um dos principais alvos da investigação comandada pelo Gaeco.
De acordo com os levantamentos iniciais, Cerqueira teria reunido doze parlamentares em uma chácara antes do pleito para impedir mudanças de voto e garantir sua vitória sobre o adversário apoiado pelo grupo da prefeita local. O pleito acabou posteriormente anulado pelo Supremo Tribunal Federal por ter ocorrido fora do prazo legal estabelecido.
Posicionamento oficial
Em nota oficial assinada pela presidente Paula Calil, o Legislativo municipal destacou que prioriza a transparência e a observância rigorosa das leis, resguardando o direito constitucional ao contraditório e à ampla defesa dos investigados.
“A instituição ressalta que eventuais condutas individuais devem ser apuradas pelas autoridades competentes e não representam o posicionamento ou a atuação institucional do Legislativo cuiabano”, afirmou a presidente da Câmara, Paula Calil (PL).
Apesar da repercussão gerada pelo cumprimento das ordens judiciais, a administração da Casa garantiu que os trabalhos parlamentares e o atendimento burocrático seguem funcionando em ritmo normal, enquanto os órgãos fiscalizadores prosseguem com as diligências para elucidar os fatos.
















