Polícia

“Angeliquinha” é cercada por policiais na Bolívia e voltará para MT

Foragida há mais de um ano, criminosa condenada a mais de 260 anos usava redes sociais e documentos falsos para se esconder no exterior

Gravulações divulgadas pela imprensa boliviana revelam o instante em que Angélica Saraiva de Sá, de 34 anos, amplamente conhecida como “Angeliquinha”, foi cercada por autoridades policiais e conduzida pelas ruas de Santa Cruz de la Sierra. A captura ocorreu na última terça-feira (22), culminando na sua apresentação à imprensa local durante uma coletiva voltada à segurança pública.

Extradição para Mato Grosso

Apontada pela Polícia Civil como uma das principais chefias de uma organização criminosa que atua no extremo norte mato-grossense, a detenta acumula penas judiciais que superam 260 anos de reclusão. Após ser detida no país vizinho, a foragida foi entregue à custódia da Polícia Federal na cidade sul-mato-grossense de Corumbá (MS). Conforme as autoridades de segurança pública, o translado dela para o solo mato-grossense ocorrerá logo após os trâmites burocráticos entre os Judiciários de ambos os estados envolvidos.

Fuga e ostentação nas redes sociais

O histórico de fuga de Angélica teve início em 17 de agosto de 2025, data em que ela conseguiu escapar da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, localizada em Cuiabá. Enquanto estava homiziada em território boliviano, a criminosa chamou a atenção ao compartilhar postagens em plataformas digitais frequentando festas, ingerindo bebidas alcoólicas e aproveitando momentos de lazer, o que acabou auxiliando os investigadores a rastrearem sua localização exata.

Tentativa de ocultação e falsidade ideológica

Informações levantadas pela Polícia Civil indicam que a detenta chegou a se submeter a intervenções estéticas com o intuito de alterar suas características faciais e burlar eventuais abordagens. No momento exato da sua captura pelas forças policiais, ela portava uma identificação nacional falsificada.

Atuação no crime organizado

Mesmo na condição de fugitiva da justiça, as apurações indicam que a criminosa continuava comandando ações ilícitas na área de Alta Floresta. Entre os delitos gerenciados por seu grupo estão o tráfico de entorpecentes, práticas de extorsão e o controle de atividades irregulares em zonas de garimpo.

De acordo com o delegado Victor Hugo Caetano de Freitas, titular da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), ela também teria participação direta em ordens para homicídios ligados à facção na região.

Sua extensa ficha criminal engloba sentenças condenatórias por crimes graves como assassinatos, comércio ilegal de drogas e formação de quadrilha. A localização bem-sucedida da criminosa decorreu do intercâmbio de dados de inteligência entre os aparatos de segurança do Brasil e da Bolívia, mobilizando divisões especializadas da Polícia Civil mato-grossense — incluindo a GCCO, o Draco e a Gepol — em conjunto com o efetivo policial boliviano.

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