O mercado financeiro brasileiro encerrou a última quarta-feira (23) em forte sinal de alerta. O dólar comercial registrou uma alta expressiva de 1,27%, cotado a R$ 5,169, após flertar com o patamar de R$ 5,177 na máxima da sessão. Em meio a um ambiente global adverso e reações às pesquisas eleitorais domésticas, a moeda americana ganhou força generalizada, enquanto a bolsa brasileira despencou e voltou a negociar abaixo dos 186 mil pontos.
Impacto das eleições e do cenário externo
A pressão sobre a divisa brasileira veio tanto de fatores internos quanto externos. No cenário nacional, os investidores ajustaram posições diante da repercussão de novas rodadas de pesquisas eleitorais. Fora do país, a combinação entre a valorização global da moeda estadunidense e a disparada nas cotações do petróleo impulsionou o movimento de alta.
Apesar do salto de mais de 1% no dia, o dólar ainda mantém uma trajetória de baixa no acumulado do ano, registrando retração de 5,83% frente ao real.
Desempenho da bolsa e indicadores dos eua
O Ibovespa não resistiu ao clima de aversão ao risco e fechou o dia em queda de 0,86%, estacionando nos 185.814 pontos. O volume financeiro movimentado na sessão somou R$ 29,68 bilhões. Mesmo com o revés diário, o índice acionário ainda acumula ganhos de 4,73% ao longo do mês de setembro.
Os mercados internacionais foram determinantes para o tom negativo. Em Wall Street, os principais índices operaram no vermelho:
- Dow Jones: queda de 0,68%, aos 51.512,42 pontos;
- S&P 500: recuo de 0,75%, aos 7.706,39 pontos;
- Nasdaq: baixa de 1,13%, aos 26.936,04 pontos.
O movimento de queda nas bolsas globais foi intensificado pela alta nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano, conhecidos como Treasuries. O rendimento dos papéis de dez anos superou a marca de 5% ao ano pela primeira vez desde julho de 2007, atraindo capitais para os Estados Unidos e penalizando economias emergentes como o Brasil.
Juros altos e avanço do petróleo
Dados econômicos robustos publicados nos Estados Unidos corroboraram a perspectiva de manutenção de juros elevados por um período prolongado. O índice de gerentes de compras (PMI) avançou para 58,4 em setembro, superando a leitura anterior de 56 e reforçando o cenário de atividade aquecida.
Paralelamente, o petróleo retomou a trajetória de alta após cinco sessões consecutivas de baixa. O avanço foi impulsionado pela estagnação nas tratativas diplomáticas entre Estados Unidos e Irã, alimentando temores sobre a inflação energética global.
- Petróleo tipo Brent: alta de 2,84%, a US$ 98,12 o barril;
- Petróleo tipo WTI: alta de 1,81%, a US$ 92,16 o barril.
Adicionalmente, o Departamento de Energia norte-americano divulgou um crescimento de 2,969 milhões de barris nos estoques locais de petróleo na semana, contrariando as projeções do mercado, que aguardavam uma retração nos inventários.

