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Praias brasileiras recebem mutirões de limpeza em setembro

Iniciativas ligadas ao Dia Mundial da Limpeza ocorrem em cinco estados e incluem triagem de resíduos e ações de conscientização ambiental.

O litoral brasileiro se prepara para receber uma série de mutirões de limpeza ao longo deste mês de setembro, mobilizando escolas, moradores locais, gestores públicos e voluntários em prol da preservação ambiental. As atividades integram as mobilizações globais do Dia Mundial da Limpeza e contam com articulação de projetos voltados à conservação marinha.

Ações pelo país e impacto na ciência cidadã

As intervenções na faixa de areia vão muito além da simples coleta de detritos. Todo o material recolhido passa por etapas rigorosas de triagem, pesagem e catalogação. Esse procedimento transforma a mobilização comunitária em uma ferramenta de ciência cidadã, cujos dados ajudam a embasar diagnósticos ecológicos, políticas públicas e pesquisas voltadas à proteção dos oceanos.

Flavia Guebert, diretora do projeto Coral Vivo, destaca a importância da participação popular na identificação da origem e do volume dos detritos encontrados na costa.

“A reflexão que queremos que the tenham é delas se movimentarem, aproveitarem a oportunidade e fazer algo em prol do meio ambiente. Principalmente de criarem essa consciência de que as pessoas tem o papel principal nesse movimento, como levar sua sacola retornável para fazer compras, levar sua garrafa de água. [É sobre] a reciclagem do lixo que eu produzo”, disse Flavia.

Riscos à biodiversidade marinha

Especialistas alertam que a poluição plástica representa uma ameaça severa aos ecossistemas sensíveis, a exemplo dos recifes de coral. Fragmentos e microplásticos persistem por longos períodos no ecossistema e podem ser ingeridos por animais marinhos, evidenciando como os hábitos de consumo diários impactam diretamente o meio ambiente.

“Resíduos plásticos, em especial fragmentos e microplásticos, permanecem por longos períodos no ambiente, podem ser ingeridos por animais e afetam ecossistemas sensíveis, como os recifes de coral. Ao envolver a população na coleta e na classificação dos materiais, os mutirões transformam a participação comunitária em ciência cidadã e tornam visível a relação entre hábitos de consumo, descarte e poluição das praias”, diz a Biomar.

Balanço histórico e achados curiosos

Desde 2018, as ações integradas já contabilizaram a mobilização de mais de 4,4 mil voluntários e a retirada de aproximadamente 17 toneladas de lixo do litoral nacional. Apenas nas edições recentes, o plástico liderou os registros, respondendo pela maior parte do volume e dos itens inventariados pelas equipes.

Durante os trabalhos de limpeza, os voluntários frequentemente se deparam com itens inusitados que revelam a longa permanência dos resíduos na natureza. Entre os achados mais chamativos estão fardos de borracha datados da Segunda Guerra Mundial, associados a naufrágios ocorridos em 1944, além de garrafas com rótulos estrangeiros, eletrodomésticos e utensílios descartados irregularmente.

Mobilização global e o papel da sociedade

No Rio de Janeiro, as atividades contam com a liderança do Instituto Limpa Brasil por meio de campanhas que estimulam a sociedade a assumir um papel protagonista na preservação ecológica.

Para Edilainne Muniz, diretora executiva do Instituto Limpa Brasil, a ideia é deixar um legado permanente de participação cidadã:

“Acreditamos que não é preciso esperar que 100% da população mude para transformar o planeta. Quando 5% das pessoas decidem agir, elas influenciam famílias, escolas, empresas, comunidades e governos. O Dia Mundial da Limpeza mostra que a transformação ambiental já começou e qualquer pessoa pode fazer parte dela.”

A programação completa contempla praias na Bahia, no Rio de Janeiro, em Alagoas, em Pernambuco e em São Paulo, oferecendo à população diversas oportunidades de engajamento na causa ambiental ao longo das próximas semanas.

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