Política

Otaviano Pivetta cobra Lula por segurança na fronteira com Bolívia

Demanda por maior apoio federal ressurge após escândalo de ex-secretário estadual condenado por tráfico internacional de drogas

Por REDAÇÃO | 20/09/2026 16:53

O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) intensificou as cobranças por uma atuação mais efetiva do governo federal no enfrentamento ao crime organizado na divisa mato-grossense com a Bolívia. A exigência por reforço na segurança ocorre em um contexto delicado, quatro anos após a deflagração de uma operação da Polícia Federal que culminou na prisão de Nilton Borges Borgato, ex-titular da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação na gestão de Mauro Mendes, época em que Pivetta ocupava o cargo de vice-governador.

Histórico do escândalo e condenação Borgato foi detido em abril de 2022 durante a Operação Descobrimento. Conforme apontado pelas investigações conduzidas pela PF, o ex-integrante do primeiro escalão estadual — que assumiu o cargo em 2019, quando a atual gestão iniciou o mandato — exercia o papel de intermediário entre os fornecedores da droga, os responsáveis pela logística de transporte e os receptores do entorpecente em solo europeu. O caso central da investigação girou em torno de uma tentativa frustrada de despachar 685,19 quilos de cocaína rumo a Portugal utilizando um jato executivo.

A reviravolta judicial e o regime semiaberto Em julho deste ano, o ex-secretário recebeu uma condenação de 8 anos e 8 meses de reclusão pelo crime de tráfico internacional de drogas. Posteriormente, o Poder Judiciário avaliou o tempo em que ele permaneceu encarcerado preventivamente, além das medidas cautelares cumpridas, o que resultou na modificação do regime inicial de cumprimento da pena para o semiaberto, garantindo ao réu o direito de apelar da sentença em liberdade.

Cobranças direcionadas ao Planalto Diante do cenário eleitoral e da vulnerabilidade da região, Pivetta sustenta que o estado necessita de suporte urgente da União ao longo dos aproximadamente 900 quilômetros de linha de fronteira boliviana. “Eu pretendo conversar com o governo federal para que o governo federal assuma essa responsabilidade”, afirmou. Em outra declaração, disse que a União “deveria cuidar e não cuida” da fronteira.

Diálogo institucional e independência partidária O chefe do Executivo estadual sinalizou que pretende levar a pauta diretamente ao comando do Palácio do Planalto, independentemente de quem esteja no comando do país. Ao ser questionado sobre uma eventual reeleição de Lula, declarou: “Eu vou respeitar o presidente da República que estiver lá e vou discutir a fronteira do Brasil. A segurança pública do meu Estado. O meu partido é Mato Grosso”.