O juiz André Barbosa Guanaes Simões decidiu manter a prisão preventiva de quatro réus envolvidos na morte do advogado Roberto Zampieri, crime que teria motivação em uma disputa por uma fazenda avaliada em cerca de R$ 100 milhões. A determinação também abrangeu a flexibilização de medidas cautelares para outro acusado e ordenou providências imediatas para assegurar o acesso irrestrito das defesas aos materiais digitais do processo.
Manutenção das prisões preventivas Permanecerão detidos Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, Aníbal Manoel Laurindo, Antônio Gomes da Silva e Hedilerson Fialho Martins Barbosa. Ao reavaliar a situação das custodias, o magistrado entendeu que persistem ameaças à ordem pública e à instrução criminal.
Organização criminosa e periculosidade Na avaliação do juiz, os elementos reunidos apontam para um grupo organizado com capacidade de executar ações de grande gravidade. “Os elementos coligidos indicariam a atuação de estrutura organizada dotada de elevada capacidade operacional e potencial lesivo”, registrou.
De acordo com o Ministério Público de Mato Grosso, os empresários Aníbal Manoel Laurindo e Elenice Ballarotti Laurindo teriam contratado uma organização criminosa para matar Zampieri. A investigação aponta Etevaldo como o líder do esquema, que conta com nove pessoas denunciadas ao todo.
Situação dos demais réus e restrições Atualmente, Etevaldo encontra-se alojado no Sistema Penitenciário Federal. Enquanto isso, Gilberto Louzada da Silva continuará cumprindo prisão domiciliar monitorada por tornozeleira eletrônica, medida fundamentada em laudos de saúde apresentados nos autos.
O magistrado também atendeu parcialmente aos pleitos da defesa de Peterson Venites Komel Júnior, apontado como participante no recrutamento de cúmplices, aquisição de armamentos e campana contra o advogado. O réu manterá o uso da tornozeleira, porém obteve autorização para se deslocar entre Barueri, sua cidade de residência, e São Paulo, local onde exerce suas atividades profissionais, podendo transitar por municípios do trajeto, como Osasco. O horário de recolhimento noturno também foi flexibilizado, passando das 20h para as 22h, com término mantido às 6h.
Outros investigados, como Mário Jorge Bucater e Salézia Maria Pereira de Oliveira, respondem aos chamados em liberdade sob a acusação de terem fornecido suporte financeiro para comprar o silêncio de comparsas.
Correção de falhas nas provas digitais Paralelamente às decisões sobre as prisões, o juiz ordenou que a Polícia Federal e a Perícia Oficial e Identificação Técnica de Mato Grosso solucionem problemas técnicos que impediram a checagem completa das evidências digitais. Um exame técnico realizado em 20 de agosto de 2026 apontou anomalias em dois discos rígidos externos, sendo um com defeito de leitura e outro com falha na verificação de integridade dos arquivos.
A Polícia Federal recebeu o prazo de 15 dias para disponibilizar um novo dispositivo íntegro referente ao HD danificado. Na sequência, a Politec disporá de mais 15 dias para gerar as cópias integrais e validar os códigos de segurança. Todo o acervo digital regularizado precisará ser depositado em um ambiente de nuvem seguro, viabilizando o acesso simultâneo de todas as equipes de defesa.















