O Tribunal do Júri da comarca de Sorriso, situada a 420 km de Cuiabá, sentenciou Welliton Sousa, conhecido popularmente como “Neguinho Pesadelo”, a uma pena de 28 anos, um mês e 10 dias de reclusão em regime inicial fechado. A condenação abrange o homicídio qualificado do adolescente Andrei Cordeiro de Moura, de 17 anos, a tentativa de homicídio qualificado contra Elinésio Pereira de Moura, pai da vítima, e o crime de integração em organização criminosa armada.
Dinâmica da emboscada e motivação do crime De acordo com a acusação aceita pelos jurados, que reconheceram as qualificadoras de motivo torpe e recurso que dificultou a defesa, a ação criminosa foi desencadeada na noite de 1º de maio de 2024, no bairro Mário Raiter. O atentado teve como pano de fundo a suposta rivalidade entre facções, pois os agressores desconfiavam que o jovem mantinha ligações com um grupo rival ao Comando Vermelho, embora a mãe do adolescente tenha negado veementemente qualquer envolvimento do filho com criminalidade organizada.
Diante das ameaças recebidas, a família tentava providenciar a saída do menor de idade do município. Na tentativa de pacificar a situação, o pai acabou saindo com o adolescente para conversar com os suspeitos na residência de Welliton. No local, um atirador ainda não identificado entrou no veículo das vítimas e as induziu a irem até uma área isolada nas proximidades de um milharal, enquanto o condenado dava cobertura pilotando uma motocicleta.
Investigação, provas e atuação do Ministério Público Durante a abordagem na região afastada, o atirador disparou contra pai e filho. O patriarca conseguiu escapar correndo para o milharal e sobreviveu após receber atendimento médico, enquanto o jovem, mesmo ferido, dirigiu o automóvel até perto de parentes, mas acabou falecendo após ser socorrido e encaminhado ao Hospital Regional de Sorriso. Câmeras de segurança registraram toda a movimentação, e a arma utilizada foi apreendida na casa de Welliton no dia seguinte, tendo a perícia balística confirmado a compatibilidade do revólver com o projétil retirado do corpo da vítima.
Além do apoio logístico e da ocultação do armamento, a análise do telefone celular do réu revelou registros fotográficos, vídeos e conversas que comprovaram sua participação ativa no Comando Vermelho, atuando no monitoramento de viaturas e cumprimento de ordens da facção criminosa.
O órgão ministerial foi representado no plenário pelo promotor de Justiça Luiz Fernando Rossi Pipino, titular da 2ª Promotoria de Justiça Criminal do município.
“O veredito reafirma a defesa da vida e o enfrentamento às facções. Nenhuma organização criminosa pode decidir quem deve viver ou morrer. A autoridade da lei deve prevalecer sobre a violência”
, destacou o promotor de Justiça.















